Em novembro do ano passado, o Olhar Digital divulgou um estudo que descobriu que o asteroide Dinkinesh, um dos alvos de investigação da sonda Lucy, da NASA, tem uma pequena lua. Ou melhor, na verdade, duas, já que a rocha presa gravitacionalmente a ele trata-se de um objeto binário de contato.

Agora, essa pesquisa acaba de ser oficialmente reconhecida por meio de publicação na revista Nature nesta quarta-feira (29).

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Batizada de Selam, a lua binária de Dinkinesh é feita de dois lóbulos aproximadamente do mesmo tamanho, não sendo tão menor que o corpo pai. Enquanto Dinkinesh tem 720 metros de diâmetro, os lóbulos de Selam têm 210 e 230 metros. Selam fica a apenas 3,1 km de Dinkinesh e completa uma órbita ao redor desse asteroide a cada 52,7 horas.

Embora a equipe não tenha certeza se esse cenário específico explica a formação de Selam, essa pesquisa abre caminho para comparar este pequeno sistema binário com outros sistemas semelhantes. Um exemplo relevante é Didymos, que pertence aos 15% dos asteroides próximos à Terra que possuem uma lua.

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A sonda Lucy da NASA capturou esta imagem do asteroide binário Dinkinesh
A sonda Lucy da NASA capturou esta imagem do asteroide Dinkinesh durante um sobrevôo em 1º de novembro de 2023. Crédito: NASA/Goddard/SwRI/Johns Hopkins APL/NOAO)

Luas podem ser uma característica comum em asteroides

“Estou particularmente entusiasmado em comparar o sistema binário Didymos com este, especialmente porque parecem compartilhar várias semelhanças, como tamanho, forma geral e, possivelmente, composição, apesar de estarem em regiões totalmente diferentes do Sistema Solar”, a professora Jessica Sunshine, da Universidade de Maryland, em um comunicado.

Sunshine participou da missão DART, da NASA, que lançou uma espaçonave em direção à lua Dimorphos, do asteroide Didymos, para desviar sua órbita. Este teste demonstrou que a humanidade tem a capacidade de alterar a trajetória de um asteroide através de um impacto cinético.

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A descoberta de que luas podem ser uma característica comum entre asteroides em ambientes diversos fornece perspectivas valiosas sobre a evolução desses corpos celestes. “O sistema binário Didymos está situado em um ambiente próximo à Terra, enquanto o sistema Dinkinesh está localizado muito mais distante, no cinturão principal de asteroides”, disse Sunshine. “Eles têm características bastante distintas, mas acreditamos que podem ter passado por processos semelhantes para se tornarem o que são hoje”.

Representação artística da sonda Lucy manobrando na órbita da Terra. Crédito: NASA

A sonda Lucy recebeu esse nome em referência a um conjunto de fósseis de Australopithecus com o mesmo nome, e está investigando 11 asteroides diferentes no Sistema Solar. Assim como um fóssil, esses asteroides representam vestígios do Sistema Solar primitivo, e compreendê-los é fundamental para entender a formação dos planetas.

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Dinkinesh é o nome etíope do fóssil Lucy e significa “você é maravilhosa”. Selam é o nome de outro fóssil de Australopithecus e significa “paz”. Dinkinesh e Selam são os dois primeiros dos 11 asteroides que Lucy investigará.

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A espaçonave está retornando à Terra, prevista para chegar em dezembro. Quando isso acontecer, ela utilizará a gravidade do nosso planeta para ganhar velocidade e retornar ao cinturão principal de asteroides, onde estudará o asteroide Donaldjohanson, em abril de 2025. 

Em seguida, seguirá além do cinturão principal para alcançar os asteroides troianos na órbita de Júpiter, em 2027.

“Compreender como planetas como a Terra se formaram envolve entender o comportamento dos objetos quando colidem e a necessidade de conhecer sua resistência”, explicou Hal Levison, cientista do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, em Boulder, Colorado, e investigador principal da missão Lucy. “Os planetas se formaram quando pequenos corpos orbitando o Sol colidiram. Se esses corpos se fragmentam ou se unem após a colisão depende muito de sua resistência e estrutura interna”.

Lucy continua sua missão, oferecendo uma visão sem precedentes dos primórdios do nosso Sistema Solar e ajudando a desvendar os mistérios da formação planetária. A cada nova descoberta, aprendemos mais sobre a história e a evolução dos asteroides e, por extensão, sobre as origens dos planetas, incluindo a Terra.