Se hoje temos tubarões gigantes e agressivos, a culpa é do aquecimento dos oceanos. Pelo menos é isso que uma nova pesquisa indica. Os maiores predadores de água salgada do mundo podem ter surgido a partir do momento que o mar ficou menos, digamos… pacato.

O artigo publicado no Current Biology mostra que cientistas mediram o comprimento do corpo de 500 tubarões (e espécies extintas e vivas) e montaram uma árvore evolutiva. Os dados mostram que quando o oceano ficou muito quente, os tubarões tiveram que sair das profundezas e ir para mar aberto.

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Isso teria acontecido durante o período cretáceo, há cerca de 120 milhões de anos. A saída de um local mais tranquilo para um habitat mais competitivo obrigou os tubarões a desenvolverem nadadeiras e dentes maiores, além de ficarem mais agressivos.

Aliás, até a visão que temos dos tubarões é equivocada. Normalmente quando pensamos nesses animais imaginamos criaturas violentas (como mencionado no começo do texto). Entretanto, apesar das espécies perigosas serem mais famosas, a maioria dos animais se alimentam no fundo do mar, apenas algumas espécies precisam nadar constantemente e viver em águas abertas.

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O primeiro modelo 3D do tubarão megalodonte sugere que ele comeu presas do tamanho de orcas em apenas cinco mordidas. Imagem: J. J. Giraldo

Como o aquecimento dos oceanos obrigou os tubarões a evoluírem?

A pesquisa mostra que a necessidade de respirar motivou a saída dos tubarões do oceano mais quente. Com o aquecimento, as águas profundas ficaram menos ricas em oxigênio, o que obrigou os ancestrais das espécies atuais a abandonarem o fundo do mar.

“A maioria dos tubarões de águas abertas tende a ter nadadeiras alongadas, e os tubarões bentônicos têm nadadeiras mais curtas”, disse Lars Schmitz, professor de biologia no Claremont McKenna College, na Califórnia, e autor do artigo em entrevista ao New York Times

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Timothy Higham, coautor e professor da Universidade da Califórnia, Riverside, explicou que em águas mais quentes, músculos mais leves permitiram que os animais fossem mais rápidos. Com mais velocidade, os tubarões podem ter começado a “expandir para um habitat de águas mais abertas”, capturando presas que nadavam rápido e evitando outros predadores marinhos do Cretáceo (agora extintos).

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“A disseminação de zonas marinhas anóxicas e as mudanças no clima global, muitas vezes ocorrendo simultaneamente à acidificação dos oceanos, resultaram nas piores extinções em massa da história da Terra”, disse ela, acrescentando que “o ritmo das mudanças agora é realmente sem precedentes”, finaliza.