Em meio às colinas verdes de Oxfordshire, na Inglaterra, repousa uma figura icônica esculpida no solo – um mistério que atravessa três milênios. Trata-se do Cavalo Branco Uffington, uma enigmática imagem feita de giz que recentemente recebeu uma restauração cuidadosa para combater os efeitos devastadores do tempo e da natureza. 

O trabalho foi conduzido por arqueólogos do Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural (National Trust) e da organização Oxford Archaeology, que se empenharam em devolver a magnificência àquela antiga criação.

publicidade
O crescimento da relva ao redor do Cavalo Branco Uffington desfigura a escultura com o passar do tempo. Crédito: David JC – Shutterstock

No ano passado, a equipe detectou sinais alarmantes de deterioração na figura, especialmente no pescoço e na cabeça, que estavam se estreitando devido ao crescimento da relva e à erosão do giz. Combinando técnicas modernas e tradições ancestrais, os arqueólogos cortaram a grama invasiva e redistribuíram o giz, restaurando a figura à sua forma original.

Leia mais:

publicidade

Cavalo de giz da Inglaterra tem valor histórico

Datado de aproximadamente 1740 a.C. a 210 a.C., o Cavalo Branco Uffington faz parte de um complexo arqueológico denominado White Horse Hill – o “Monte do Cavalo Branco”. 

O monumento foi originalmente esculpido em trincheiras profundas na colina, preenchidas com giz branco, criando a silhueta que hoje fascina tanto visitantes quanto estudiosos. Há um debate contínuo sobre se a figura representa realmente um cavalo ou uma criatura mítica semelhante a um dragão, especialmente considerando sua proximidade com a Colina do Dragão, local associado à lenda de São Jorge.

publicidade

O arqueólogo Adrian Cox, do National Trust, disse à BBC: “É uma figura intrigante, pois não sabemos ao certo seu propósito original. Poderia ter sido uma marca territorial ou um símbolo tribal. O que sabemos é que, através dos esforços de gerações de pessoas locais, o cavalo foi cuidado, permitindo que ele sobrevivesse por milhares de anos para se tornar uma característica icônica desta paisagem”.

Durante a restauração, amostras de solo das camadas inferiores da figura foram coletadas para análise. Espera-se que a datação por Luminescência Opticamente Estimulada (OSL), uma técnica avançada que examina materiais cristalinos como o quartzo, possa fornecer uma idade mais precisa do Cavalo Branco. 

publicidade
A forma do cavalo, antes e depois de seu tratamento calcário de restauração. Crédito: © National Trust Images/James Dobson

Na década de 1990, análises anteriores já haviam indicado que esta é a figura de giz mais antiga da Grã-Bretanha, mas as novas técnicas prometem revelar ainda mais sobre sua origem. Os resultados dessas análises são aguardados com expectativa e devem ser divulgados ainda este ano, potencialmente lançando nova luz sobre a história deste enigmático símbolo.

Por séculos, a preservação do Cavalo Branco Uffington foi uma tradição comunitária, celebrada em festivais de “varredura”, onde habitantes locais se reuniam para limpar a figura de grama e ervas daninhas. O primeiro festival documentado ocorreu em 1755, e essa tradição foi revivida pelo National Trust em 2009. Atualmente, são organizados eventos públicos onde voluntários são incentivados a participar da manutenção e restauração da figura, assegurando que esta herança milenar continue a ser apreciada e cuidada.