Como é viver na Estação Espacial? 1º estudo arqueológico no espaço responde

Pesquisadores usam arqueologia para investigar como humanos se adaptam às particularidades da vida na Estação Espacial Internacional (ISS)
Estação Espacial Internacional vista do espaço, de longe, centralizada ao horizonte abobadado do planeta Terra
Periodicamente, a Estação Espacial Internacional precisa de uma "forcinha" para ajuste de órbita. Imagem: Dima Zel/Shutterstock

A vida na Estação Espacial Internacional (ISS) tem muitas particularidades. É tudo bem diferente do que o Homo sapiens se preparou para enfrentar ao longo de 300 mil anos. Então, como esse bicho se adapta por lá? Essa curiosidade levou à primeira pesquisa arqueológica feita no espaço.

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O estudo, publicado na revista Plos One, não só oferece insights sobre como humanos se adaptam para viver na ISS, mas mostra como dá para usar a arqueologia para estudar locais remotos e extremos.

O experimento leva arqueologia para fora do planeta Terra pela primeira vez. (…) Mostramos como a tripulação da ISS usa diferentes áreas da estação espacial de maneiras que divergem dos designs e planos de missão. Arquitetos e planejadores de futuras estações espaciais podem aprender lições valiosas.

Autores do Projeto Arqueológico da Estação Espacial Internacional em comunicado

Pesquisa leva arqueologia ao espaço para investigar a vida na Estação Espacial Internacional

Arqueologia é a ciência que estuda culturas e modos de vida de sociedades humanas – tanto do passado quanto do presente – a partir da análise de objetos. A pesquisa em questão aplica esse princípio para investigar uma “microsociedade num mini-mundo”.

O astronauta Frank Rubio, da NASA, na Estação Espacial Internacional
Astronauta Frank Rubio, da NASA, na ISS; ele bateu o recorde estadunidense de permanência no espaço (Imagem: NASA)

Na prática, o Projeto Arqueológico da Estação Espacial Internacional usa um arcabouço arqueológico para estudar como as pessoas usam áreas da ISS, considerando seus materiais como artefatos.

“Como é muito caro e difícil visitar nosso local arqueológico pessoalmente, temos que reimaginar criativamente métodos arqueológicos tradicionais para responder a perguntas-chave”, explica a equipe.

Adaptações na pesquisa

Por exemplo, uma estratégia arqueológica adotada na pesquisa foi o “teste de pá de escavação”. Em condições normais, é cavar pequenos poços para avaliar a distribuição dos artefatos. Na ISS, virou: tirar fotos diariamente de seis locais por 60 dias.

Os pesquisadores publicaram os resultados de duas das seis áreas amostrais documentadas. Essas áreas incluíam uma designada para manutenção de equipamentos e outra próxima ao banheiro e aos equipamentos de exercício.

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O que a pesquisa mostrou

Astronautas em horário de refeição na Estação Espacial Internacional
A rotina dos astronautas na Estação Espacial Internacional consiste em trabalhar, comer, se exercitar e dormir (Imagem: NASA)

A análise das fotos em ambas as áreas revelou 5.438 instâncias onde “artefatos” foram usados para diversos propósitos, como ferramentas de escrita, Post-it e um headset de realidade aumentada.

Os resultados demonstram discrepâncias entre o uso pretendido e o uso real de certas áreas a bordo da ISS.

Ao cruzar fotos com relatórios de atividades dos astronautas, os pesquisadores notaram que a área perto dos equipamentos de exercício e do banheiro era usada como local de armazenamento para itens de higiene pessoal, sacos reutilizáveis e um computador raramente usado. E a área não tinha sido projetada para isso.

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A área de manutenção de equipamentos também foi usada principalmente para armazenamento. Segundo o estudo, pouca ou nenhuma atividade de manutenção é feita lá.

Pedro Spadoni
Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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