Inscrições em cascos de tartaruga revelam passado da China

Os objetos, chamados de "Ossos de Oráculo", datam de 3.250 anos e sugerem o desenvolvimento da escrita na China antiga
Por Alessandro Di Lorenzo, editado por Flavia Correia 11/11/2024 11h01, atualizada em 04/12/2024 15h37
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Um casco de tartaruga esculpido com caracteres da China antiga. Imagem: Shan_shan/Shutterstock
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Pesquisadores vêm estudando há anos alguns artefatos milenares descobertos onde hoje é a China. São cascos de tartaruga ou omoplatas de bois com inscrições feitas com caracteres chineses antigos.

Chamados de “Ossos de Oráculo”, esses objetos datam de 3.250 anos e sugerem o desenvolvimento da escrita na China antiga. No entanto, há evidências de que eles também eram usados para outros propósitos.

Objetos teriam sido criados pela mais antiga dinastia da China

  • No total, foram encontrados cerca de 13 mil artefatos.
  • Eles teriam sido feitos entre 1250 a.C. e 1050 a.C., no final da Dinastia Shang, a mais antiga dinastia tradicional chinesa para a qual há evidências arqueológicas.
  • De acordo com cientistas, os objetos foram desenterrados por fazendeiros, e muitos foram exumados durante cerimônias funerárias na antiga capital Shang de Anyang, na província chinesa de Henan.
  • No século XIX, alguns desses itens foram encontrados, e os moradores acreditaram que se tratavam de ossos de dragão.
  • As informações são do Live Science.
Artefatos são considerados a forma mais antiga existente de escrita chinesa (Imagem: Shan_shan/Shutterstock)

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Instrumentos de adivinhação do futuro

Os “Ossos de Oráculo” eram frequentemente feitos de cascos de tartaruga e das omoplatas de bois. De acordo com os arqueólogos, as inscrições eram feitas com um instrumento afiado e normalmente expressavam alguma questão importante para aquela sociedade.

Depois, o objeto era aquecido até rachar. Essas rachaduras então eram “interpretadas” por “videntes” da época. Era uma maneira de tentar prever o futuro. Os ossos e conchas eram reutilizados até que não houvesse mais espaço. Por isso, existem mais de 100 mil inscrições são conhecidas.

Objetos também era usados para prever acontecimentos futuros (Imagem: pixiaomo/Shutterstock)

Dessa forma, os pesquisadores consideram que os artefatos são a forma mais antiga existente de escrita chinesa. Muitos dos cerca de 5 mil caracteres antigos ainda são usados no chinês moderno, embora vários sinais ainda não sejam muito bem compreendidos.

Alessandro Di Lorenzo é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua na área desde 2014. Trabalhou nas redações da BandNews FM em Porto Alegre e em São Paulo.

Flavia Correia
Redator(a)

Jornalista formada pela Unitau (Taubaté-SP), com Especialização em Gramática. Já foi assessora parlamentar, agente de licitações e freelancer da revista Veja e do antigo site OiLondres, na Inglaterra.