Este é o efeito do “apito da morte asteca” no cérebro humano

Estudo inédito sugere que, além de aterrorizar adversários, apito da morte pode ter sido usado em rituais de sacrifício humano
apito-1920x1080
(Imagem: Tom Reeve/Shutterstock)

Em um estudo inédito publicado na Communications Psychology, pesquisadores analisaram os efeitos do apito da morte asteca no cérebro dos humanos modernos. O dispositivo emite sons assustadores – que se assemelham bastante a gritos de desespero – e, como explica a equipe, consegue colocar nosso córtex auditivo em extremo estado de alerta.

Continua após a publicidade

Entenda:

  • Pela primeira vez, pesquisadores analisaram os efeitos do apito da morte asteca no cérebro dos humanos modernos;
  • O dispositivo emite sons bastante parecidos com gritos de desespero, e colocam nosso córtex auditivo em alerta;
  • Além de aterrorizar adversários em confrontos, os apitos também podem ter sido usados em cerimônias de sacrifício humano, sugerem os pesquisadores;
  • Experimentos com voluntários ainda mostraram que nosso cérebro se esforça para encontrar significados simbólicos no som do apito da morte.
Apito da morte era usado pelos astecas para aterrorizar inimigos. (Imagem: Jennysnest/Wikimedia Commons)

De acordo com os autores do estudo, os antigos astecas podem ter usado o apito da morte para aterrorizar adversários no campo de batalha ou, ainda, em cerimônias de sacrifício humano, imitando o assovio do vento no submundo asteca ou representando Ehecatl, o deus do vento em sua mitologia.  

Leia mais:

Apito da morte asteca confunde o cérebro humano, aponta estudo

Usando réplicas de apitos astecas, os pesquisadores conduziram experimentos psicoacústicos com voluntários, registrando suas respostas neurais e psicológicas ao apito da morte. Com técnicas de neuroimagem, a equipe detectou “atividade cerebral muito específica” em regiões do córtex auditivo que respondem a ruídos assustadores.

Equipe criou réplicas de apitos da morte astecas. (Imagem: Frühholz, S. et al./ Communications Psychology, 2024)

Os ouvintes do experimento descreveram os sons do apito como “muito negativos”, “assustadores” e “aversivos”. A equipe aponta “uma origem híbrida natural-artificial”, com “uma mistura ambígua de componentes sonoros familiares e desconhecidos, bem como um simbolismo multicamadas”.

Ou seja, ao ouvir o som aterrorizante do apito, nosso cérebro não apenas é colocado em alerta máximo, mas também se esforça para tentar identificar um significado simbólico – o que torna a utilização dos apitos em rituais “muito provável, especialmente em ritos e cerimônias de sacrifício relacionadas aos mortos”, escreve a equipe.

Ana Julia Pilato
Ana Julia Pilato

Ana Julia Pilato é formada em Jornalismo pela Universidade São Judas (USJT). Já trabalhou como copywriter e social media. Tem dois gatos e adora filmes, séries, ciência e crochê.

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email