Máquina que gera 1.900 vezes a gravidade da Terra para simular desastres é criada na China

Nova centrífuga chinesa de 1.900 g·tonelada, a mais poderosa do mundo, permitirá simular em laboratório desastres naturais
Lucas Soares07/01/2026 18h29, atualizada em 08/01/2026 21h22
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A China está prestes a inaugurar a centrífuga mais potente já construída para fins de pesquisa científica. A nova máquina, chamada CHIEF1900, é capaz de gerar forças de hipergravidade em amostras de várias toneladas, permitindo simular em laboratório eventos que levam décadas ou se estendem por quilômetros na natureza, como rompimentos de barragens e terremotos.

A CHIEF1900 tem uma capacidade nominal de 1.900 g·tonelada, uma unidade que combina a aceleração da gravidade (g) com a massa da amostra. Ela supera seu antecessor imediato, a CHIEF1300 — que entrou em operação em setembro e já detinha o recorde mundial — e a antiga centrífuga recordista do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, no Mississippi.

Vista do núcleo do CHIEF1300. (Imagem: Xinhua)

Parte de um megaprojeto de infraestrutura científica

Ambas as centrífugas fazem parte do Centrifugal Hypergravity and Interdisciplinary Experiment Facility (CHIEF), um laboratório nacional situado a 15 metros de profundidade no campus da Universidade de Zhejiang para minimizar vibrações. O complexo CHIEF, aprovado em 2021 com um orçamento de 2 bilhões de yuans (cerca de R$ 1,43 bilhão), representa um esforço da China para expandir sua infraestrutura de pesquisa de ponta e está aberto para colaboração de cientistas nacionais e internacionais.

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Aplicações práticas: comprimindo tempo e espaço

O princípio por trás da tecnologia é usar a força centrífuga para gerar acelerações centenas ou milhares de vezes superiores à gravidade da Terra. Isso permite “comprimir” fenômenos de longa duração ou grande escala.

Por exemplo, para testar a estabilidade de uma barragem de 300 metros de altura, os engenheiros podem construir um modelo de 3 metros e girá-lo a 100g, replicando em horas as mesmas tensões que a estrutura real sofreria por anos.

Outras aplicações práticas desta pesquisa podem ser estimar como os poluentes migram pelo solo ao longo de vários milênios ou como os trilhos de trens de alta velocidade ressoam com o solo – cenários impossíveis de estudar em tempo real. 

Lucas Soares
Editor(a)

Lucas Soares é jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atualmente é editor de ciência e espaço do Olhar Digital.