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Por que não temos carros voadores?

Felipe Waltrick 23/11/2018 16h30

Quem nunca se imaginou voando no DeLorean do Dr. Emmett Brown, do filme 'De Volta Para o Futuro II' que atire o primeiro capacitor de fluxo

Quem nunca se imaginou voando no DeLorean do Dr. Emmett Brown, do filme 'De Volta Para o Futuro II' (de 1989), que atire o primeiro capacitor de fluxo. Não bastou o avião e o helicóptero, o que nós queremos mesmo é pilotar o próprio veículo capaz de voar. Alguns projetos já têm avançado bastante, mas ainda há barreiras, as quais ainda estão difíceis de sobrevoar.

Nas últimas décadas, o mundo deu um salto tecnológico: há menos de 100 anos o transporte a cavalo era a realidade da maioria da população. No começo do século passado, o rádio dava o pontapé na era da comunicação e, um dos fatores que ajudou a rápida adoção, foi o fato do sinal do rádio (a forma com que o som é transmitido através do ar) ser domínio público e não patenteado. Isso permitia que equipamentos de diferentes fabricantes fossem compatíveis entre si.Posteriormente, a mesma lógica seria aplicada para a TV. Inclusive, quando surgiu a televisão em cores, os equipamentos fabricados anteriormente, feitos para operar somente em preto/branco, quando recebiam o sinal colorido ainda funcionavam.

A partir da década de 70, surgiram os computadores pessoais com seus sistemas operacionais e aplicativos. Infelizmente, a mentalidade era outra. A estratégia comercial era "fidelizar" os clientes através da incompatibilidade entre fabricantes, que era apresentada sob o pretexto de "exclusividade".

Dentro dessa lógica, as inovações não são compartilhadas. Muito pelo contrário, quem desenvolve um software, cria obstáculos para integração com outros. Por exemplo, um fornecedor de software ERP tem que transpor várias barreiras não técnicas para realizar a integração com um software de planilha. Essas barreiras vão desde a dificuldade de acesso a documentos/especificações até o alto custo de licenças.

Hoje, os computadores estão em todos os lugares, nos smartphones, carros, TVs, relógios de pulso, em casa, na roupa… Existe um nível razoável de integração entre vários desses dispositivos e isso só foi possível porque um software livre conhecido como Linux está presente em quase todos eles. O Linux derrubou as barreiras não técnicas e estabeleceu uma base para que todos os fabricantes falem a mesma língua.

Se hoje é possível conectar o smartphone no painel do carro para ouvir música, realizar ligações e, até mesmo, acessar mapas em tempo real, isso só é possível graças ao software livre.

Porém, ainda há muito trabalho, uma parte significativa da indústria de tecnologia - alguns por serem conservadores, outros por serem detentores de monopólios -, são resistentes a adoção de padrões abertos. TCP/IP, USB, Bluetooth, GNU/Linux são alguns exemplos de padrões abertos. Cada um deles é fruto de cooperação e representou um grande salto para sociedade.

É como aquele salto do Marty McFly no topo do prédio do Biff Tannen, onde ele é salvo pelo Dr. Emmett Brown com o DeLorean voador. Ao que parece, também vivemos numa realidade paralela, mas precisamos saltar sem medo. E só será uma revolução quando todos entenderem que a cooperação é o único caminho.

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