Para que serve o Programa Espacial Brasileiro?

Ele existe há 18 anos, mas segue como um ponto de interrogação para muita gente

Marcelo Gripa, editado por Stephanie Kohn 28/12/2012 12h00
Espaço
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Em 1961, a União Soviética impressionava o mundo ao enviar pela primeira vez um homem para o espaço. O piloto da Força Aérea Yúri Gagarin tornava-se então um dos maiores símbolos da extinta Guerra Fria, embate travado por décadas entre a potência europeia e os Estados Unidos.

Longe dali, no Brasil, o governo aproveitava o momento histórico para dar o passo inicial rumo ao espaço. O Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais nascia naquele ano, às vésperas da ditadura, pelas mãos do ex-presidente Jânio Quadros. O investimento mais efetivo, no entanto, viria 33 anos depois.

Em 1994 o governo lançou a Agência Espacial Brasileira e, juntamente com ela, um programa dedicado a capacitar o país em tecnologias. O desafio era agregar ciência e inovação na exploração do uso espacial, fomentar a fabricação de sistemas de satélites, foguetes e aplicações que envolvem meteorologia e comunicações.

Doze anos depois, por meio da Missão Centenário, o tenente coronel e astronauta Marcos Pontes tornava-se o primeiro brasileiro a viajar pela órbita. Mas o objetivo central do Programa Espacial Brasileiro não era este, e sim utilizar as pesquisas para sanar deficiências que afetam a sociedade.

“Nenhum país vive sem os benefícios e serviços vindos do espaço. As atividades tornaram-se indispensáveis”, diz a AEB ao Olhar Digital. "O Brasil é um patrimônio fantástico de recursos naturais de toda ordem. É preciso conhecê-lo, estudá-lo, controlá-lo, administrá-lo, vigiá-lo e, em especial, explorá-lo de forma sustentável", completa. 

A ampla extensão territoral dá ao país “especial vocação espacial”. Por ser um 'gigante', as iniciativas impactam diretamente na melhor exploração das telecomunicações, uso sustentável de recursos naturais, acompanhamento das mudanças ambientais e climáticas, vigilância nas fronteiras marítimas e alertas sobre desastres naturais. “Tudo isso exige mais sistemas, lançadores e lançamentos, satélites, informações e imagens vindas do espaço, atividades e mais indústria competente e eficaz. Ciência e tecnologia espaciais são essenciais”, explica a AEB.

O Brasil é uma das principais potências em competitividade espacial. Ranking divulgado em agosto deste ano pela publicação Futuron's lista o país em 11º lugar, uma posição atrás da conquistada em 2010, mas ainda à frente de todos os vizinhos latinos. O levantamento relaciona aspectos do governo, desenvolvimento de competências e propensão ao uso de aplicações e tecnologia da indústria.

Em três décadas, o Brasil investiu R$ 6,1 bilhões no desenvolvimento de programas, valor corrigido em 2011, nas contas da AEB. Deste total, 40% foram destinados a satélites e infraestrutura associada, 28% a veículos lançadores e infraestrutura associada, 25% aos centros de lançamento e outros 7% em projetos não especificados. Para 2012, o orçamento previsto é de R$ 443 milhões e a maior parte dos recursos provem da própria AEB e do MCTI, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. 

Mas por que é tão importante compreender o que existe além da Terra? Segundo a agência, pelo simples fato de que, como parte do espaço cósmico, os planetas estão expostos a benefícios e problemas decorrentes deste pertencimento, como asteroides, raios cósmicos e explosões solares. Daí a necessidade de assimilar as características para se precaver e entender o universo no qual os países estão inseridos.  

As atividades deste setor movimentam US$ 270 bilhões anualmente no mundo todo e vivem um momento de efervescência. “Está em marcha uma espécie de inclusão espacial em nível planetário”, estima a AEB, sobre o crescente número de países que se armam para atender a demanda. Segundo a agência, o Brasil é um dos que defende a necessidade de todas as nações contarem com infraestrutura, ainda que mínima, para processamento, análise e uso de dados e imagens de sátelite.

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