Primeira câmara de descompressão comercial vai ao espaço neste ano

Cápsula será transportada pelo Falcon 9, da SpaceX, em novembro; com o formato de uma redoma de pressão, a eclusa metálica se conectará a uma porta do lado de fora da ISS

Vinicius Szafran, editado por Fabiana Rolfini 16/09/2020 16h40
Testes da câmara Bishop
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No fim do ano, o foguete Falcon 9 da SpaceX decolará dos Estados Unidos rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), carregando um grande corpo metálico que será anexado ao exterior da ISS. Trata-se de uma câmara pressurizada comercial inédita, projetada para levar cargas úteis e outros materiais de dentro da estação pressurizada para o vácuo do espaço.


A câmara foi desenvolvida pela empresa aeroespacial Nanoracks, que já criou um hardware menor para enviar ao espaço, como caixas de pesquisa padronizadas usadas para realizar experimentos em microgravidade. Desenvolveu também seus próprios implantadores de satélites, usados para lançar pequenas espaçonaves em órbita - seja da ISS ou de naves menores.

Mas essa eclusa comercial, chamada Bishop, é possivelmente a peça mais ambiciosa já feita pela Nanoracks. Com o formato de uma redoma de pressão, a eclusa metálica se conectará a uma porta do lado de fora da ISS, criando uma pequena protuberância arredondada no exterior do laboratório orbital. Uma série de mecanismos de encaixe garantirão uma vedação hermética. Os astronautas então poderão armazenar itens na câmara apenas abrindo a escotilha.

 

Quando cargas úteis são montadas dentro da Bishop, os astronautas fecham a escotilha do porto e sugam o ar da câmara de descompressão por meio de uma bomba. Em seguida, um braço robótico de fora da ISS pode agarrar a câmara e removê-la do porto, expondo os itens de dentro ao vácuo. Uma vez que todas as atividades são realizadas, o braço recoloca a eclusa no porto, onde ela trava e volta a se fechar hermeticamente.

Atualmente, há três eclusas de ar na ISS - duas que permitem a saída da estação e uma no Módulo Espacial Japonês que é usado para liberar cargas úteis no espaço. Até agora, a eclusa japonesa tem sido a forma da Nanoracks lançar os satélites de seus clientes no espaço. Com a Bishop, a empresa ganha outra opção, cinco vezes maior que a atual. 

Utilidades da Bishop

Um dos objetivos da Bishop é transformar a câmara em um implantador de satélites. Os clientes da Nanoracks podem anexar caixas de implantação em seu interior. Assim, quando a câmara se abrir, os implantadores dispararão seus satélites. Mas não é só isso que a câmara pode levar. A Nasa tem um acordo para embalar lixo da ISS dentro de contêineres, que serão lançados da eclusa para o espaço. Os recipientes logo entrarão na atmosfera da Terra, sendo queimados no processo.

A Bishop também pode ser usada para expor experimentos ao vácuo espacial. Uma startup japonesa testará seu novo braço robótico dentro da câmara, por exemplo. A Nanoracks incluiu adaptadores na parte externa da Bishop para que cargas úteis e experimentos possam ser conectados ao seu exterior. A eclusa pode até ser usada para abrigar ferramentas necessárias durante uma caminhada espacial.

Agora, a Bishop está em seus testes finais. O intuito da Nanoracks é enviar a cápsula para o Kennedy Space Center da Nasa nas próximas duas semanas. Ela então aguardará a próxima missão da SpaceX, programada para meados de novembro, para se acoplar à ISS.

Via: The Verge

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