Lost Girls: Os Crimes de Long Island

Mais um sucesso da Netflix

Sergio Alpendre, editado por Liliane Nakagawa 18/03/2020 22h00
Lost Girls
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A fábrica de salsichas da Netflix continua a todo vapor. A marca da gigante do streaming como produtora de filmes é se utilizar de procedimentos estilísticos já testados e aprovados pelos seus usuários, não importa se estão em jogo filmes de Scorsese, Baumbach ou Cuarón. Deve-se buscar a média, e se evitar o salto no abismo, o risco ou o arroubo maneirista ao máximo. A não ser o típico maneirismo "Stranger Things", que já não é mais maneirismo porque virou moda.


"Lost Girls – Os Crimes de Long Island", de Liz Garbus, nesse processo, é um pouquinho melhor que "Troco em Dobro", e um pouco inferior a "Pássaro do Oriente", ficando mais ou menos no nível de "Entre Realidades". Mas o fato é que esses filmes todos, e vários outros da Netflix, igualam-se na ambição controlada, na direção programática e nos roteiros esquemáticos que se abrem a furos porque parecem escritos na correria.

A filha mais velha de Mari Gilbert (Amy Ryan), uma mulher de personalidade forte, mãe de três filhas, desaparece após uma madrugada em que ela pediu socorro da polícia após uma tentativa frustrada de um programa sexual num condomínio fechado em Long Island. Logo ela descobre que sua filha não foi a única garota de programa desaparecida no local, e outros cadáveres de moças são encontrados.

A incompetência da polícia é assombrosa, como a de boa parte do cinema americano aliás, e então Mari trata de tentar ela mesma encontrar a filha. Ela precisa lutar também contra a má vontade da sociedade, principalmente da elite do condomínio de veraneio, e contra um médico misterioso (e um tanto sinistro).

No elenco, a vitalidade de Ryan contrapõe a apatia de Gabriel Byrne, e a presença da atriz adolescente de "Jojo Rabbit", Thomasin McKenzie, como a filha do meio de Mari, ajuda a compor o retrato de garotas guerreiras à procura de justiça que faz com que o filme seja algo mais do que o habitual rame-rame das produções da Netflix. Ainda assim, o verniz estilístico funciona como uma indesejável limitação artística.

* Sérgio Alpendre é crítico e professor de cinema

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