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Kill Bill

O que poderá haver num futuro Kill Bill 3?

Sergio Alpendre, editado por Liliane Nakagawa 10/02/2020 01h00
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Comento neste artigo três coisas que se gostaria de ver no terceiro possível longa de Tarantino

Com os rumores da possibilidade de um terceiro episódio de "Kill Bill", um dos momentos mais marcantes de Quentin Tarantino, a revista inglesa Empire, de longe a melhor entre as que cobrem cinema mainstream (apesar do gosto por vezes cair no conservadorismo conteudista) resolveu publicar três coisas que gostariam de ver no terceiro longa. A pequena matéria é assinada por John Nugent. Seguem as escolhas, com meus comentários:


A Vingança de Nikki

É a filha de Vernita Green (Vivica A. Fox), que testemunha o assassinato de sua mãe pela noiva interpretada por Uma Thurman logo no primeiro duelo de sua vingança. A noiva, ela própria uma vingadora, diz à pequena menina que entende perfeitamente se ela quiser vingança também, quando crescer. Quem não pensou nessa possível vingança, tempos depois, enquanto via o filme? Confesso que pensei, e a ideia pode realmente acontecer, a não ser que Tarantino não queira nos entregar o óbvio. Mas nesse caso, queremos o óbvio.

Bill: a próxima geração

Com razão, a revista argumenta que se o filme se chama "Kill Bill", precisa haver um novo Bill, já que o personagem de David Carradine morre no segundo longa, e especula sobre um possível filho que poderia ter sido deixado de fora da narrativa original. Esse filho poderia querer vingar a morte de seu pai.

Treinamento da filha pela mãe

"Nikki não seria a única crescida a querer ir para a briga", diz a Empire, e lembra que a própria noiva descobriu, no final do segundo longa, que sua filha estava viva. As duas estão vendo televisão, no final da vingança, após Bill ter sido assassinado. E o jornalista pergunta e responde a si mesmo: "Tarantino fazendo 'Karatê Kid'? Eu veria". Sim, eu também. Seria interessante também para mostrar um treinamento em que a posição superior não fosse ocupada por um homem, como aconteceu nos primeiros longas. A noiva já teria adquirido um status de mestra por ter se vingado de Bill e teria plenas condições de ensinar tudo que sabe a sua filha B.B.

Se rolar mesmo esse terceiro longa, seria interessante também ver a evolução de Tarantino como diretor, após algumas obras menores como "Bastardos Inglórios" e "Django Livre", um ensaio de invenção em "Os Oito Odiados" e a volta definitiva à grande forma com "Era Uma Vez em Hollywood". Aguardemos essa incursão de um Tarantino maduro e renovado por uma narrativa que marcou uma espécie de transição em sua carreira.

* Sérgio Alpendre é crítico e professor de cinema

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