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Midsommar

Um comentário sobre Midsommar

Sergio Alpendre, editado por Cesar Schaeffer 08/10/2019 11h10
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Longa impressiona, mas não deixa de lado o marketing exagerado de Ari Aster

Tinha desistido de comentar Midsommar por aqui, mas uma passeada pelas redes sociais mostrou que o filme ainda está na boca do povo. Vale, então, fazer um comentário.

Há algo de muito enganador no cinema de Ari Aster. Seu primeiro longa, Hereditário, chegou a ser apresentado como o filme mais assustador de todos os tempos. Não deu nem para o cheiro. Era um festival de bobeiras travestido de filme de horror iconoclasta. O segundo longa, Midsommar: O Mal Não Espera a Noite, é mais talentoso. Mas ainda assim sente-se um marketing exagerado naquilo que seria a maior força do filme: o terror da luz solar.

Na trama, amigos americanos são levados, pelo sueco da turma, a um festival em uma vila remota da Suécia. Nesse festival, sacrifícios humanos são feitos como forma de renascimento e purgação. Os idosos, por exemplo, preferem interromper a decadência física inevitável pulando de um penhasco, num ritual suicida comemorado por todos ao redor, menos pelos estrangeiros. E ai daquele que não morrer com a queda: será alvo de pauladas até sua morte definitiva.

O longa trabalha com a ideia de uma heroína que passa por um grande trauma, a morte dos pais. Ela viaja com o namorado bobão e seus amigos bobões e passa por uma verdadeira provação. Torna-se uma espécie de rainha, uma soberana. Por incrível que pareça, ela é a que menos tem a perder naquele lugar maluco. 

Enquanto dura, Midsommar até que impressiona. Mas é tudo truque, como fica evidente no momento em que saímos do cinema e passamos a pensar no que vimos. A trama, que apela para nudez de idosos, cenas de sexo assistidas por um público e momentos de violência extrema, não se sustenta por muito mais que uma hora. As referências a O Homem de Palha (1973), clássico de Robin Hardy, só provam que um filme médio de horror atual perde feio para um filme médio de terror do passado.

Ari Aster mostra mais uma vez que sabe dirigir, é hábil na construção de uma atmosfera de horror. Se abandonar o marketing que o aproxima de outro escandinavo, Lars Von Trier, pode se tornar um cineasta dos mais interessantes. Difícil é resistir, hoje em dia, às duvidosas benesses trazidas por uma estratégia comercial bem sucedida.

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