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A tradução do analógico para a economia do futuro (ou melhor, do presente)

Guilherme Sturm 08/11/2018 12h00

O celular é nossa maior companhia, e até a Apple tem feito questão de nos lembrar disso

Eu faço parte da última geração que viveu o mundo analógico. A última que leu revistas em consultórios médicos e que pode comparar os momentos de ócio offline e online. A última geração designada por Michael Harris, autor do livro “O Fim da Ausência”, como bilíngue – por ser capaz de traduzir o mundo analógico para o digital, ou vice-versa. Para Harris, faço parte de um grupo com habilidade única, de notar como a introdução da tecnologia mudou o mundo e como as pessoas se relacionam.

Qualquer espera em ponto de ônibus ou um olhar mais cuidadoso em uma praça de alimentação nos permite concordar com Harris e perceber que nunca mais estaremos sozinhos. O celular é nossa maior companhia, e até a Apple tem feito questão de nos lembrar disso ao incluir em sua atualização o envio de relatório de tempo de uso das aplicações de nossos smartphones.

Mas esta grande habilidade pontuada por Harris nos desafia a um esforço imenso para prover tecnologia e acompanhar as demandas da geração sucessora, a Geração Z. Os primeiros classificados em estudo da Box 1824 em parceria com a McKinsey como digitais nativos, que já alcançaram a maioridade, mas suas características de consumo e comportamento diferem muito do que buscávamos até pouco tempo atrás. Estabilidade, casa própria, carro e a roupa da moda... Nada disso é prioridade para eles. São da geração consumidora da economia criativa, que compra serviços em vez de produtos.

No mercado corporativo, não estamos falando em nenhuma novidade por enquanto. Na década de 90 já se regulamentava o Saas - Software as a Service, no mesmo modelo de pagamento recorrente por uso de produtos, sem a necessidade de um investimento grande na sua compra. Mas, felizmente, as tecnologias evoluíram muito, e a mesma geração Z que trocou o carro próprio e o hotel na praia pelo Uber e Airbnb, está revolucionando os setores da economia. Surgiram as Fintechs, Agroteths, Healthtechs, Lawtechs, e tantas outras cujo sufixo indica o que domina os mais diversos setores hoje.

No mundo, há pelo menos duas décadas o uso da tecnologia e a economia criativa pautam também o processo de formulação e implementação de políticas públicas. Blockchain, robótica, criptomoedas, drones e inteligência artificial são alguns dos recursos que veremos bastante aplicados no dia a dia dos serviços e políticas públicos.

A Austrália anunciou recentemente o lançamento da Australian National Bockchain, uma plataforma federal que permitirá às empresas automatizar transações baseadas em contratos inteligentes. Por exemplo, sensores de canteiros de obras irão registrar data e hora de entrega de uma carga, e a empresa fornecedora poderá notificar automaticamente o banco de que o contrato foi cumprido, usando a tecnologia para os próximos passos da cobrança. É o conceito de contabilidade distribuída.

Ainda que no Brasil este processo seja mais lento, este tema se fortalece e traz segurança para os serviços públicos e privados. Já pontuei aqui anteriormente a importância da tecnologia para garantir segurança para o nosso processo democrático nas eleições e no registro de informações para prestação de contas. Os registros de cartório, por exemplo, se beneficiariam muito da possibilidade de cadeias de blockchain como a da iniciativa australiana. Recursos disruptivos para nós, da era analógica, mas que fazem sentido à geração Z desde que eles nasceram.

 

Economia FINTECHS
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