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As mulheres estão na tecnologia - e focadas no cidadão também

Letícia Piccolotto 15/04/2019 15h02

Em relação às startups que atuam no campo do governo promovendo melhorias para os cidadãos, as mulheres estão deixando marcas históricas

Grace Hopper foi, nos anos 1940, uma pioneira da análise de sistemas que trabalhou para a Marinha dos Estados Unidos e criou linguagens para computadores usadas por décadas. Hopper também costumava dizer que “humanos são alérgicos a mudanças”, mas que ela estava disposta a lutar contra isso e trazer muitas outras mulheres para trabalhar com tecnologia. Bem, hoje vemos que os esforços de Grace Hopper e tantas outras realmente fizeram (e fazem) a diferença.

Podemos não ser maioria quando se observa o número de vagas ocupadas nos cursos de exatas, ciências, biomedicina, programação ou mesmo no mercado de trabalho. Mas o espaço feminino está em crescimento - e, felizmente, estamos também atuando em questões relevantes para a sociedade. Em relação às startups que atuam no campo do governo promovendo melhorias para os cidadãos - as chamadas GovTechs - as mulheres estão definitivamente deixando marcas históricas.

Em um relatório realizado no final de 2018 pelo site GovInsider, 68 mulheres receberam destaque pelas suas respectivas atuações transformando realidades de comunidades, cidades e Estados a partir do uso da tecnologia. E isso acontece em diversas partes do mundo - nos países asiáticos, passando pela Europa e América.

Muitas das mulheres lembradas pelo relatório estão se dedicando a mudar modelos e questionar o status quo em diferentes instituições, sejam bancos públicos, ministérios, embaixadas, órgãos de diversas naturezas. Uma delas, Francesca Bria, é considerada uma “super-heroína do Govtech” e já se tornou bastante conhecida na Europa e fora dela por seus esforços.

Olhar abrangente

Francesca é uma tecnóloga italiana e hoje presta assessoria em estratégia digital, tecnologia e política de informação para a cidade de Barcelona, lugar que se tornou um celeiro de inovação e um dos hubs de destaque quando se fala em GovTech. Mas, além de atuar diariamente com a cidade catalã, ela também oferece sua expertise por meio do Decode Project, uma iniciativa que reúne a União Europeia para discutir sobre a soberania de dados dos cidadãos.

Francesca Bria não para por aí: na verdade ela também tem assessorado a cidade de Roma e toda a região do Lácio, em seu país-natal, quanto às ações para tornar cidades mais abertas à adoção de práticas digitais. Ela também é ativa em vários movimentos populares que defendem o acesso aberto, o conhecimento comum e as tecnologias descentralizadas.

Sistemas e leis para todo o mundo

Ela não está sozinha - e podemos citar mais um ótimo exemplo de quem não está preocupada com a imagem que se faz das mulheres na tecnologia, decidindo agir globalmente e pensar em dias mais eficientes.

Anita Hazenberg é quem lidera o Centro de Inovação da Interpol, conectando polícias em 194 países em todo o mundo. O centro é formado por quatro laboratórios que operam sob uma abordagem dupla (de inovação estratégica e inovação aplicada). Sua orientação é baseada em experimentar e testar conceitos e ferramentas de policiamento com o objetivo de orientar discussões, moderar a colaboração internacional e desenvolver soluções de segurança para o futuro.

Um dos projetos encabeçados por Hazenberg foi o Radar de Inovação e Tecnologia da Interpol, que funciona quase como um guia, fornecendo uma visão geral das tecnologias emergentes, englobando vários exemplos de como o setor pode beneficiar a comunidade na aplicação das leis.

Assim com as mulheres citadas no relatório, eu me orgulho hoje também de buscar promover a pauta da inovação aqui no Brasil. O BrazilLAB - primeiro hub que conecta startups com o poder público - já está indo para o seu terceiro ano de trabalho e opera com mais de 50 startups em diferentes áreas (saúde, educação, inclusão social) pensando em soluções para as cidades brasileiras.

Acredito fortemente que a sensibilidade feminina junto com o poder das novas tecnologias pode gerar soluções concretas para os problemas mais complexos vividos atualmente pela nossa sociedade. E é ótimo saber que existem mulheres que estão ocupando esses espaços e servindo de exemplo para estabelecermos uma nova mentalidade global - o que faria Grace Hopper e todas as pioneiras se orgulharem muito de todas nós.

Governo inovação mulheres
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