Demanda por vacina para a Covid-19 cria mercado negro na China

Pessoas pagam até R$ 8 mil por um lugar em programas para receber doses experimentais em caráter de emergência, cuja eficácia ainda não foi comprovada

Rafael Rigues 18/11/2020 10h44
Vacina
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Ainda não há uma vacina comercialmente disponível contra a Covid-19. Várias delas estão na "Fase 3" dos testes, a última antes que possam solicitar aprovação para uso geral, com algumas empresas como a Pfizer relatando altos níveis de eficácia.


Entretanto, mesmo sem comprovação, países como a China estão autorizando o uso emergencial das formulações mais promissoras com o intuito de proteger as partes mais vulneráveis da população, como idosos, trabalhadores do setor de saúde ou que precisam viajar a regiões de risco. Isso, obviamente, cria uma demanda entre quem "ficou de fora" e quer se proteger, o que leva ao surgimento de um mercado negro.

Estes "intermediários" servem de ligação entre as empresas, hospitais e instituições que estão testando as vacinas e os que não querem esperar por elas. Segundo o The New York Times, eles cobram de US$ 600 (R$ 3.100) a US$ 1.500 (R$ 8 mil) para assegurar uma dose da vacina aos seus clientes.

Um deles, identificado apenas como "Sr. Li", diz que tem contatos com empresas, e através delas agenda a imunização com a Sinovac, uma das farmacêuticas em estágio avançado. A empresa produz a CoronaVac, que está em testes em São Paulo.

Reprodução

Segundo a farmacêutica Pfizer, sua vacina tem 95% de eficácia. Foto: Giovanni Cancemi/Shutterstock

"Algumas pessoas são especialmente gratas a mim por ajudá-las", disse Li, embora admita que pode estar fazendo algo ilegal. Mas a pressa em se imunizar pode acabar diminuindo a eficácia da vacina, já que ela nem sempre é aplicada da forma correta.

Wang Mingtao, funcionário de uma mineradora de ouro em Ghana, fez uma jornada de quase 1.000 km de Xian, onde vive, para Beijing a fim de receber uma dose de outra vacina, produzida pela Sinopharm, pela qual pagou US$ 150 (R$ 800). Mas em vez de receber duas doses com um intervalo de 14 ou 28 dias, ele recebeu ambas no mesmo dia, uma em cada braço.

Segundo o Dr. Clarence Tam, professor assistente na Escola de Saúde Pública Saw Swee Hock na Universidade Nacional de Singapura, o intervalo é necessário para que o organismo desenvolva uma resposta imunológica mais forte. Entretanto, em declaração ao jornal Guangming Daily o Presidente da Sinopharm, Liu Jingzhen, afirmou que "sob circunstâncias especiais" as duas doses podem ser administradas ao mesmo tempo, uma em cada braço.

"Na China há esta tendência de 'todo mundo tem, então eu também quero'", disse Jennifer Huang Bouey, pesquisadora sênior de políticas da RAND Corporation, nos EUA. "O problema deles é diferente dos EUA. Eles provavelmente terão que pensar em como não gerar um tumulto ao distribuir a vacina, e não em como tentar implementá-la".

Fonte: The New York Times


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