Medicamento Remdesivir não serve para tratamento da Covid-19, diz OMS

Organização Mundial da Saúde analisou diversos casos de uso da medicação do laboratório Gilead, admitindo que ela pode ser usada, mas que não há dados que comprovem sua eficácia

Rafael Arbulu, editado por Cesar Schaeffer 20/11/2020 12h17
Remdesevir
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Um painel de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou diversos casos do uso do medicamento Remdesivir, do laboratório Gilead, e constatou que ele não traz nenhum benefício especial no tratamento de pessoas infectadas pela Covid-19. Uma conclusão similar foi obtida em estudo feito no mesmo medicamento em outubro de 2020.


O medicamento é uma das drogas mais divulgadas na internet como um tratamento válido para pessoas acometidas pela doença, que deriva do novo coronavírus (SARS-CoV-2), mas após análise, a OMS afirmou que não há comprovação de que o Remdesivir faça alguma diferença prática, o que não é o mesmo que “ser contrário” ao uso dele. A organização admite que a droga pode até ser empregada, mas ela não trará um impacto muito notável.

Em outras palavras: mal não deve fazer, mas não pense que você será curado da Covid-19 por causa do Remdesivir.

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O medicamento Remdesivir, da farmacêutica Gilead, não traz nenhum benefício no tratamento à Covid-19, segundo a OMS. Imagem: digicomphoto/iStock

A utilidade do Remdesivir vem se tornando um ponto quente de discussão clínica, já que, ao final de outubro, a Food and Drug Administration (FDA - pense nela como a “Anvisa” dos EUA) reconheceu o medicamento como tratamento primário contra a doença, e os National Institutes of Health, também nos EUA, afirmaram após estudo que a droga atua na redução do tempo de recuperação dos doentes. Entretanto, alguns destes estudos, patrocinados pela Gilead, não consideraram o uso de placebos - uma parte vista como essencial para testes pela comunidade clínica.

Em outubro, o Remdesivir foi um dos medicamentos usados pelo presidente Donald Trump, quando o mandatário norte-americano contraiu a COVID-19.

“Um painel de experts concluiu que o Remdesivir não traz nenhum efeito significativo na mortalidade ou outras resultantes de importância para pacientes, tais como a necessidade de ventilação mecânica ou tempo de melhora clínica”, disse a OMS em seu estudo, publicado no jornal médico BMJ.

“Estes resultados levantam questionamentos sobre alguns dos benefícios registrados anteriormente, sobretudo no estudo do National Institutes of Health”, disse o Dr. Bram Rochwerg, professor associado de medicina na Universidade McMaster de Hamilton, Ontário, Canadá. O especialista também ocupa uma cadeira no painel da OMS.

“O painel ressaltou em seu documento que os testes com Remdesivir devem continuar, e podem sim existir populações específicas que tirem benefício dele”, continuou o médico. “Mas esta droga é cara e administrada por via intravenosa. Seu uso pode requerer recursos que poderiam ser empregados com maior eficácia em outro lugar”, ele finalizou.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tratou-se com Remdesivir quando contraiu a COVID-19, em outubro de 2020. Imagem: Foto oficial da Casa Branca / Shealah Craighead

No mês de outubro, a farmacêutica Gilead, dona do Remdesivir, disse ter gerado US$ 873 milhões (pouco mais de R$ 4,66 bilhões, na conversão direta) desde que o medicamento foi aprovado para uso emergencial em março deste ano. Vale lembrar que seu uso começou a ser feito antes mesmo da aprovação da FDA norte-americana - uma decisão que incomodou muitos especialistas.

A comunidade reagiu ao painel da OMS de forma positiva. O Dr. Peter Bach, que dirige o Centro de Práticas de Saúde e Resultados no Memorial Sloan Kettering contra o Câncer, disse que a decisão do órgão mundial foi a mais acertada, novamente dizendo que o preço do uso do Remdesivir pode não compensar a sua falta de ganhos: “O Remdesivir custa milhares de dólares, e os testes amplamente aleatórios que avaliaram seu uso contra a COVID-19 sugerem que ele pode não trazer nenhum tipo de benefício, sendo que o único estudo positivo dele é de uma época onde nós estávamos usando dexametasona para doenças severas”, ele disse em um e-mail enviado ao New York Times.

Vale lembrar: a dexametasona se mostrou viável para tratamento da Covid-19 em alguns estágios da doença, mas também não é vista como “cura”.

Fonte: The New York Times / BMJ (PDF do estudo)


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