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Segurança - Lu Explica
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Ei, você lembra de mim?

Roberto Rebouças 18/02/2019 08h00

Pequenas situações da nossa rotina mostram que os perigos online são reais e que a atenção com a privacidade precisa ser levada a sério.

Nos conhecemos ano passado, no casamento do Edu e da Cinthia. Foi uma festa e tanto. Por isso que estou enviando neste e-mail algumas fotos que tiramos juntos. Você estava ótimo!’. Este tipo de mensagem pode ser bem comum e não duvido que você já tenha recebido – ou pior, tenha feito download do arquivo com as supostas fotos. E foi tão convincente, não é mesmo? Isso porque, nos dias de hoje, cada vez mais colocamos detalhes das nossas vidas, profissional e pessoal, nas redes sociais.

Garanto que, se eu olhar para alguns perfis por uns três minutos, conseguirei ter informações detalhadas sobre os hábitos, relação com familiares e amigos, restaurante favorito ou local de trabalho em 4 de cada 10 usuários brasileiros[1]. Todas essas informações estão além do cadastro básico para a criação de uma conta nas redes sociais, elas estão presentes nos posts, fotos e check-in que compartilhamos diariamente quando deixamos o perfil público. Essa negligência com a privacidade gera arrependimento: 1 em cada 10[2] usuários lamentam por ter postados fotos constrangedoras suas ou de outras pessoas durante uma festa ou evento social e a mesma porcentagem de pessoas se arrependem de ter postado informações pessoais, de trabalho ou financeiras em suas redes.

Por mais desconfortável que o constrangimento seja, suas consequências podem ser administradas. E é destacando pequenas situações da nossa rotina que quero mostrar que os perigos online são reais e que a atenção com a privacidade precisa ser levada a sério. Infelizmente, os mais jovens hoje em dia partem do pressuposto que os smartphones, redes sociais ou apps são seguros por default, quando não são. 

No caso dos smartphones, sempre vejo comentários dizendo que a segurança não é obrigatória, já que os golpes precisam do consentimento do usuário para serem bem-sucedidos. Isto sempre aparece quando fornecemos dicas simples como “não clique no link” ou “não baixe um app suspeito”. Elas podem ser consideradas básicas, uma vez que a maioria dos brasileiros (96%) têm consciência das ciberameaças financeiras, porém a realidade é que 1 em cada 3 já deixaram suas credenciais financeiras caírem em mãos erradas[3].

A justificativa para isso?  Nosso comportamento negligente. De acordo com a nossa pesquisa realizada em parceria com a Corpa, consultoria chilena, ele é responsável, muitas vezes, por nos colocar em perigo. Quando pensamos no uso da internet fora do Brasil, comparando com outros estudos globais, ele é focado na busca por informações ou para entretenimento, enquanto que os adolescentes e jovens-adultos brasileiros preferem utilizar a web para se manter em contato com seus pares e grupos de amigos com a mesma faixa etária. É neste contexto que concluímos que nós, brasileiros, damos mais importância ao mundo digital e deliberadamente compartilhamos detalhes da nossa vida real com o objetivo de criar uma imagem que desejamos de nós mesmos. Ao fazê-lo, ignoramos os riscos e expomos nossa privacidade.

Não pretendo convencer ninguém em deletar sua conta nas redes sociais e nem quero desmotivar os jovens quanto ao uso de seus perfis. O ponto principal da minha avaliação é fazer com que as pessoas reflitam sobre seus hábitos online e decidam sobre a melhor maneira de utilizar as redes sociais para seus objetivos pessoais e profissionais. Afinal, uma vez que adotamos comportamentos mais seguros, menos pessoas irão abrir e-mails com as fotos do casamento que supostamente estiveram.



[1] Pesquisa Diagnóstico da Cibersegurança, desenvolvida em agosto de 2018 pela CORPA para a Kaspersky Lab, considerou uma amostra de 2.326 entrevistas online com usuários entre 18 e 50 anos do Chile, Argentina, Peru, Brasil, Colômbia e México.

[2] Pesquisa Diagnóstico da Cibersegurança, desenvolvida em agosto de 2018 pela CORPA para a Kaspersky Lab, considerou uma amostra de 2.326 entrevistas online com usuários entre 18 e 50 anos do Chile, Argentina, Peru, Brasil, Colômbia e México.

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