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Empresas rebatem Symantec e pregam vida longa aos antivírus

Leonardo Pereira, editado por Marcelo Gripa 06/05/2014 18h00
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O mercado de segurança não recebeu bem as declarações de Brian Dye, presidente da Symantec, segundo o qual "o antivírus está morto e fadado ao fracasso". Outras empresas do setor, assim como especialistas em segurança, defendem o contrário.

"O modelo conhecido de antivírus não está morto. Declarar isso seria dizer que o modelo de antibióticos da indústria farmacêutica está também morto", comentou Eduardo Dantona, diretor da BitDefender Brasil. "Não é porque algumas bactérias se tornaram resistentes aos medicamentos que os antibióticos devem ser condenados à morte, descontinuados, deixando pacientes sem tratamento."

Ele concorda que os malwares estão cada vez mais sorrateiros e mais difíceis de serem detectados, mas isso não significa que as milhões de ameaças existentes sejam imunes aos antivírus. "Pelo contrário, a cada dia detectamos mais e mais ameaças."

CEO e nome de uma das gigantes do setor, Eugene Kaspersky disse ao Olhar Digital que ouviu "algumas vezes ao longo dos anos" que os antivírus estão mortos. "Mas eles continuam conosco - vivos e muito utilizados."

"Eu acredito completamente que uma solução de verificação de vírus de camada única baseada em assinaturas não chega nem perto do grau necessário de proteção – nem para usuários finais e muito menos para pequenas, médias e grandes empresas; porém, este vem sendo o cenário por muitos anos", comentou ele.

A Kaspersky divulgou uma declaração pública de resposta à Symantec em que Eugene rebate a afirmação de Brian Dye e vai além: "Sempre educamos nossos clientes sobre o fato de que nenhuma tecnologia de segurança é 100% confiável e que apenas uma combinação de medidas complementares pode reduzir efetivamente o risco de que os dados tanto de empresas quando pessoais sejam comprometidos."

Karl Sigler, diretor de Ameaças Inteligentes da Trustwave, entende que "o que se tornou evidente nos últimos anos é que as empresas e usuários finais não podem contar com o antivírus como sua principal defesa", então sistemas de detecção de intrusão e tecnologias antimalware são "mais importantes do que nunca".

Mas é preciso ter em mente que além da simples detecção de um problema, o usuário tem de saber como agir, e nem sempre ele sabe. "No final das contas nenhuma solução de segurança é uma bala de prata. Nenhum deles vai atingir 100% de segurança, mas, por camadas, todas essas soluções juntas vão te deixar mais próximo desse índice."

Professor na CloudCampus, o especialista em segurança Marcelo Barbosa Lima tem um pensamento alinhado ao dos colegas. Para ele, embora o antivírus não esteja morto, ele de fato não é mais tão eficaz como antes. As ameaças estão sendo criadas com mais velocidade e de forma personalizada, por isso grandes empresas têm de se preocupar também com malwares que tenham sido desenvolvidos especificamente para atacá-las.

"[O antivírus] deve, portanto, ser complementado por outras tecnologias e soluções de segurança. Sem falar hoje na grande quantidade de plataformas que podem facilitar a criação e lançamento de novos ataques (mídias sociais, dispositivos móveis, computação vestível, como exemplos)."

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