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Nintendo não quer que os usuários de seus jogos para smartphone gastem muito neles

Redação Olhar Digital 06/03/2019 21h10
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A fabricante japonesa de games vem pedindo aos seus parceiros que alterem os games para que usuários não gastem excessivamente com melhorias, como caracteres especiais ou liberação de novas fases

Desde 2015, a Nintendo tem acordos de divisão de lucros com parceiros de criação de jogos para smartphones. Os games costumam ser gratuitos e os jogadores podem pagar por itens especiais ou liberação de novas fases, por exemplo. Desse modo, os gamers chegam a gastar até milhares de dólares em melhorias. Mas a estratégia parece não estar agradando tanto a empresa. Isso porque ela pediu que seus parceiros ajustassem os jogos para que os usuários não gastem muito.


De acordo com entrevista de um representante da companhia ao The Wall Street Journal, a Nintendo tomou a decisão porque trabalha com jogos para smartphones como uma maneira de aumentar o interesse dos usuários em seus personagens e elevar as vendas do seu principal negócio, os jogos de consoles tradicionais. Segundo a mesma fonte, a companhia japonesa também está fazendo isso para evitar possíveis críticas de ser gananciosa por forçar lucros excessivos em games para celulares.

Por outro lado, para os criadores de jogos que fazem parcerias com a Nintendo, sua decisão pode significar grande diminuição dos lucros. Um exemplo é a CyberAgent, produtora que desenvolveu com a Nintendo o jogo de RPG “Dragalia Lost”. A empresa teve redução, em janeiro, na sua previsão de ganhos anuais pela primeira vez em 17 anos. Em parte, a queda é resultado do baixo desempenho do jogo. Quando foi lançado, em setembro de 2018, alguns usuários reclamaram da dificuldade de ganhar personagens raros.

O formato pode ter levado algumas pessoas a gastar muito dinheiro nas tentativas de conseguir melhorias. O resultado disso foi um pedido da Nintendo de mudança no jogo para evitar gastos excessivos dos usuários, disseram funcionários da CyberAgent. "A Nintendo não está interessada em fazer uma grande quantidade de receita com um único jogo de smartphone. Se administrássemos o jogo sozinhos, teríamos feito muito mais", observou um representante da CyberAgent ao The Wall Street Journal. Apesar do aumento do número de pessoas jogando o “Dragalia Lost”, graças a uma intensa campanha publicitária, a fabricante de jogos disse que os gastos de cada jogador ficaram abaixo das expectativas.

O negócio de jogos para smartphones também está em queda para a DeNA Co, desenvolvedora japonesa de sites e comércio eletrônico. O executivo-chefe da empresa, Isao Moriyasu, disse, em fevereiro, que a maioria dos seus games para celulares da empresa está com queda de lucros, exceto pelo "Megido 72”. A empresa já criou muitos jogos com a Nintendo, como "Super Mario Run" e "Animal Crossing".

Um porta-voz da Nintendo confirmou que a companhia conversa com os criadores de jogos sobre pagamentos de usuários. "Discutimos várias coisas, não apenas limitadas a pagamentos, para oferecer diversão de alta qualidade aos consumidores", disse. Por outro lado, diferente das intenções da empresa de negar gastos volumosos com jogos para celular, o diretor-presidente da Nintendo, Shuntaro Furukawa, disse que estaria aberto a colaborar com mais desenvolvedores para acelerar os lançamentos de games para smartphones. No mês passado, a Nintendo informou que está desenvolvendo com a Line Corp – uma grande desenvolvedora japonesa de apps de mensagens – um jogo de quebra-cabeça do Super Mario.

Segundo Furukawa, a fabricante de games pretende atingir uma meta de receita anual de 100 bilhões de ienes com esse formato (aproximadamente, US$895 milhões) por meio do aumento do número de jogadores em celulares. Apesar do objetivo alto, os investidores elogiaram a Nintendo quando a empresa entrou no mercado de jogos para smartphones. Alguns jogos mais bem classificados, incluindo o popular game de mobile da Sony “Fate/Grand Order”, geram mais do que isso por conta própria. Até março do ano passado, a Nintendo tinha faturado US$ 39,3 bilhões em jogos de smartphones e outras receitas com royalties.

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