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Lara Croft Tomb Raider

Tomb Raider: veja a evolução de Lara Croft nos 15 anos da série

Caio Carvalho, editado por Igor Lopes 04/11/2011 12h15
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Acompanhe a trajetória da protagonista feminina mais famosa da história dos videogames, dividida em três diferentes gerações

Caio Carvalho

Sem dúvida, Tomb Raider se consolidou como uma das maiores franquias já feitas no universo dos jogos. Mais que isso, apresentou aos jogadores uma das figuras mais corajosas e marcantes dos videogames: a britânica Lara Croft.

A personagem, que completou 15 anos de existência em outubro, foi um marco na adolescência de muita gente, no final dos anos 90. Com seu lado aventureiro e um poderoso sex appeal, Lara se tornou um ícone numa indústria predominantemente machista. É claro que ela não foi a única: outras mulheres conquistaram status nos games, como Chun-Li (Street Fighter) e Jill Valentine (Resident Evil). Mas só Lara conseguiu aliar suas habilidades de arqueóloga ao sex symbol que se transformou.

Dividida em três eras, acompanhe a evolução de Lara Croft na série de jogos Tomb Raider.

Desenvolvimento, concepção e visual

Lara Croft foi criada pelo designer Toby Gard, e levou muito tempo para chegar à forma que a conhecemos hoje. Nos primeiros rascunhos do jogo, em 1993, a ideia inicial era a de um personagem principal homem. Na época, a até então produtora Core Design decidiu que uma mulher se encaixaria melhor no perfil de aventureira, já que o game teria um foco especial na resolução de puzzles e quebra-cabeças.

Mas ainda houveram mudanças no conceito da personagem. Inicialmente, ela seria uma mulher da América do Sul chamada Laura Cruz, com uma personalidade mais fria e durona. A equipe, porém, mudou para Lara a fim de se adaptar ao público norte-americano. Conforme o roteiro era desenvolvido, optaram por fazê-la britânica, trocando seu sobrenome para Croft - que curiosamente foi escolhido numa lista telefônica de contatos ingleses. Em seguida, Lara ficou com um aspecto parecido com o Indiana Jones.

Uma marca registrada da arqueóloga é o seu enorme busto, que nasceu por um acaso. Enquanto ajustava a Lara em 3D no computador, Toby Gard acidentalmente aumentou os seios da personagem em 150% além do que deveriam ser originalmente. Ao perceber o erro, o resto da equipe decidiu deixar do jeito que estava, impedindo-o de consertá-lo.

Pela imagem abaixo, é possível ver uma evolução gradativa do primeiro até o último jogo (que será lançado no final de 2012). O tempo, aliado a novos recursos tecnológicos, contribuiu para melhorar ainda mais o aspecto visual da personagem.

Reprodução

Primeira Era

O primeiro game da franquia foi lançado em 1996 para PSOne, Sega Saturn e PCs. A personagem, feita com um total de 230 polígonos, tinha o rosto dominado por largos olhos castanhos, sobrancelhas espessas e lábios inchados. O cabelo emoldurava sua face, mas a famosa trança não aparecia no jogo em si por conta da baixa tecnologia digital da época. A arqueóloga tinha uma memorável silhueta: um par de pernas altas e uma cintura modesta que suportava seios enormes, fora das proporções normais.

Em Tomb Raider II (1997), Lara permaneceu quase a mesma do primeiro jogo. Leves ajustes foram feitos em seu rosto, e a trança, que antes não era vista em Tomb Raider I, adquiriu movimento conforme a personagem se movia pelos cenários. Outro adicional foi o guarda-roupa de Lara, que foi diversificado para refletir em diferentes locações. Em uma delas, por exemplo, ela usa uma estilosa jaqueta de motoqueiro.

Já em Tomb Raider III (1998), ligeiros ajustes e melhorias foram feitos aos gráficos do jogo, como o acréscimo de mais polígonos. Mas as novidades ficaram novamente nos trajes e equipamentos.

As primeiras mudanças aparentes de Lara apareceram em 1999, com Tomb Raider: The Last Revelation, o quarto game da franquia. Apesar dos efeitos visuais e da dinâmica do jogo ainda parecerem mecânicos demais, a personagem parecia mais bem acabada, com cantos arredondados e um visual parecido ao dos desenhos animados. Suas proporções, porém, continuavam irreais, com uma grande cabeça e a cintura mais fina que as pernas. Mas o jogo mostrou um lado interessante ao trazer flashbacks da adolescência de Lara, quando apresentou a pequena arqueóloga mais jovem.

Apesar de ser considerado o responsável pela queda da franquia, Tomb Raider: Chronicles (2000) mostrou um lado mais sombrio da personagem. Seus traços de personalidade começaram a se tornar mais fortes e perceptíveis, com uma disposição mais agressiva que é evidente até hoje. Mas foi o sucessor de Chronicles que trouxe uma experiência maior e ambiciosa para o visual da arqueóloga.

Tomb Raider: The Angel of Darkness (2003) marcou a transição de Lara da primeira para a segunda era do PlayStation. A Core Design produziu uma grande reformulação estética à personagem: de 500, saltou para 5 mil polígonos. O novo look - incluindo o figurino, que era mais leve - trouxe um rosto mais estreito, mesmo ainda tendo grandes olhos e lábios, e os fãs gostaram da nova roupagem. Mas, apesar da óbvia ambição, muitos chamam o jogo de inacabado. A partir daí, acabava o domínio da Core sobre Lara Croft.

Segunda Era

Em 2006, a produtora americana Crystal Dynamics assumiu a direção de Lara, e continuou a tendência de enraizá-la na realidade através de Tomb Raider: Legend. Agora com 9.800 polígonos, animações e habilidades ainda mais acrobáticas foram acrescentadas à personagem, com roupas, equipamento e armas perfeitamente adaptados ao seu estilo de vida e viagens. A trança clássica do primeiro game deu espaço para um simples rabo de cavalo, e o rosto reconstruído ostentava traços de maquiagem, sobrancelhas e olhos mais naturais. O corpo de Lara também foi aprimorado, e sua silhueta ficou de acordo com a de uma atleta, destacando os músculos.

A grande revolução, porém, foi em sua habilidade de aventureira. A Crystal manteve elementos importantes de sua identidade, como as clássicas pistolas, mochila com kit médico, botas de combate e um novo arsenal de equipamentos que incluía granadas, lanterna, binóculos e um aparelho de rapel. Nascia, assim, uma Lara mais utilitária, sem abandonar seu sex appeal.

Em 2007, uma surpresa: o primeiro jogo da série ganhou um remake com a mesma história do original. Porém, os gráficos, efeitos sonoros, funcionalidades e cenários foram totalmente reformulados. Tomb Raider: Anniverary teve a mesma tecnologia aplicada em Legend, mas é possível ver algumas melhorias. A pele de Lara é mais limpa e iluminada, e as proporções do seu corpo conversam entre si.

No ano seguinte, a equipe de desenvolvedores do jogo afirmou que o sucessor de Anniversary traria uma revolução gráfica à franquia. E pelo jeito eles conseguiram.

Produzido por hardwares da geração atual, Tomb Raider: Underworld ofereceu à Crystal Dynamics a chance de continuar as transformações físicas de Lara Croft. Com 32 mil polígonos, os músculos da personagem são ainda mais definidos, e seu rosto ganhou uma aparência mais madura, com bochechas, olhos e lábios construídos de maneira proporcional. Os gráficos são tão impressionantes que, dependendo da tecnologia contida no visor da televisão ou PC, é possível ver os poros da pele de Lara, como também manchas de sujeira ou água após ter entrado no mar, por exemplo.

Terceira Era

A décima aventura da heroína britânica está com lançamento marcado para o final de 2012, e será aqui que a personagem ganhará sua grande reformulação. O recomeço da série vai trazer uma Lara com apenas 21 anos de idade, ainda inexperiente e lutando pela sobrevivência numa ilha desconhecida no Japão. Pela primeira vez, o aspecto da jovem é realmente humano, sem proporções exageradas. Os produtores da Square Enix, que estreia como produtora da franquia, resolveram abandonar de vez a aparência sensual da personagem, pois o foco será no jogo e não em seu sex appeal. E isso pode ser visto no belíssimo trailer produzido pela Square, divulgado na E3 de 2011.

Filmes

Com o sucesso dos games, não demorou muito para o cinema se apoderar de Lara Croft. O resultado veio em 2001 com o primeiro filme, intitulado Lara Croft: Tomb Raider. Apesar de não ter sido baseado em nenhuma das histórias dos jogos, a adaptação conseguiu reproduzir algo paralelo, como se fosse uma das várias aventuras que a arqueóloga tem de enfrentar. A escolha da atriz para interpretar Lara também não poderia ser melhor: Angelina Jolie que, coincidamente, se parecia fisicamente com a personagem. O filme arrecadou mais de US$ 274 milhões de dólares, e detém até hoje o título de maior bilheteria inspirada em um game.

Em 2003 veio a sequência Lara Croft Tomb Raider: A Origem da Vida, e para 2013 é esperado o lançamento de um terceiro filme que vai explorar as origens de Lara. Ainda não há informações sobre quem vai interpretar a heroína, já que Jolie não vai mais participar do projeto.

Aliás, as duas adaptações cinematográficas de Tomb Raider influenciaram até os jogos. A Mansão Croft de Legend e Underworld é a mesma dos filmes, e algumas roupas extras do game de 2006 foram usadas por Angelina Jolie nas telonas.

Reprodução

Em 15 anos desde sua estreia, Lara Croft enfrentou altos e baixos, e quase chegou ao esquecimento quando seus jogos não alcançaram mais tanta popularidade. Agora com a Square Enix na produção do novo Tomb Raider, podemos esperar por uma Lara que não vai abandonar seu lado arqueológico e explorador, mas vai redescobrir a si mesma. Ao que tudo indica, sua sensualidade exagerada não vai continuar, o que vai ser ótimo, pois dará espaço a uma experiência mais sombria e impactante do que qualquer coisa que nós jogadores já vimos nos jogos anteriores. Isso talvez não tenha agradado aos fãs mais puristas, mas é certo que vamos acompanhar uma Lara mais madura e, de fato, focada na aventura e sobrevivência, como mostra o gameplay

E enquanto o novo Tomb Raider não sai, aproveite para assistir ao nosso review dos três últimos games da série, clicando aqui.

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