Europa, União Europeia

Brasileiros contam como é trabalhar em empresas de tecnologia na Europa

Leonardo Pereira 02/12/2017 11h00
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Pensou? Então é hora de agir. Embora não dê para antecipar se uma pessoa será ou não bem sucedida em uma aventura pela Europa, há uma série de iniciativas que contribuem para reduzir as possibilidades de falha. E a primeira delas é aprender a falar inglês, porque este é o idioma que permite fazer negócios no mundo todo. Até Bandeira, que trabalha para o Airbnb em Portugal, contou que precisava disso no currículo: "Consegui a posição através de um site de empregos em que procuravam pessoas fluentes em língua inglesa e francesa. Como eu possuía as qualificações, o processo de admissão foi muito simples."

O Brasil é fraquíssimo nesse ponto, tanto que ocupa a posição de número 41 no [Índex de Proficiência em Inglês (EPI), que na edição 2017 incluía 80 países. Apenas Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina têm resultados moderados no ranking, e nenhum estado brasileiro apresenta nível alto ou muito alto de proficiência. O interessado em trabalhar na Europa, portanto, precisa remar contra a maré.

"O inglês não é a nossa primeira língua, então a primeira dificuldade que a gente encontra como profissional tentando vir para a Europa é realmente dominar o idioma de uma maneira que, apesar de não ser a sua primeira língua, você consiga trabalhar, se comunicar muito bem, negociar, convencer, ter a mesma habilidade de comunicação, ou ao menos similar, à que você teria no seu idioma. Essa é a primeira desvantagem. A maioria das pessoas, quando chegam aqui, não dominam o idioma, tanto que uma grande porcentagem vem realmente para aprender e aperfeiçoar o inglês", explica a recrutadora Priscylla Finneran.

"Eu tenho um caso", contou ela. "De um cara que era o menos experiente de todos com quem ele estava competindo e basicamente ele conseguiu a vaga de trabalho pela habilidade de comunicação — óbvio, ele tinha uma experiência super legal também, mas [ganhou] pela simpatia e pela habilidade de comunicação. Ele se vendeu muito melhor do que os outros e hoje é um dos gerentes de operação da Microsoft."

Uma forma eficiente de conseguir o inglês é ingressando em um intercâmbio. Este é um mercado em ascendência no Brasil, tendo movimentado US$ 2 bilhões em 2016, de acordo com uma pesquisa da Belta (Associação das Agências de Intercâmbio). E os cursos de idioma são os mais procurados, com o inglês tendo sido o principal foco dos entrevistados naquele ano. Para quem tem o mercado europeu como foco, a melhor opção é a Irlanda, que é o quinto país mais popular entre intercambistas brasileiros.

O Olhar Digital inclusive publicou uma reportagem recentemente contando como o país se tornou uma espécie de ímã de empresas de tecnologia. "Quais países hoje da União Europeia falam inglês? O Brexit já está aí, então não tem Reino Unido. Sobra Irlanda ou Malta", ressalta Giansante, ele próprio um ex-intercambista na ilha. Aliás, um fomentador também, já que é fundador e CEO do E-Dublin, maior plataforma voltada a brasileiros na Irlanda — os vídeos presentes neste texto vêm de lá; Giansante toca uma coluna chamada "Trabalhando no exterior", em que compartilha sua própria experiência e conduz entrevistas com gente que deu certo por aqui.

Mas não é só com inglês que o candidato precisa de preocupar. Segundo Finneran, é importante estudar o mercado e observar pessoas que tenham perfil similar ao seu no país-alvo para entender quais são os tipos de experiência e certificações necessárias para entrar na área. "Saber quais são as habilidades que nós recrutadores estamos buscando para que você possa se aperfeiçoar ou adquirir aquela habilidade", disse.

Cultive um bom perfil no LinkedIn, porque ele é uma plataforma importantíssima de recrutamento na Europa, e não tenha medo de se arriscar. "Não precisa estar na Europa para se candidatar às vagas", pontua Virgilio Afonso Jr., da eSailors.

"Se você pegar os casos de brasileiros que se deram bem aqui e são bem sucedidos nas suas profissões, eu acho que um fator que é comum a todos é a cara de pau", destaca a recrutadora Priscylla Finneran. "E quando eu falo cara de pau, é num sentido de não ter vergonha de se apresentar, de fazer contatos, de pedir oportunidades, de mostrar o que você sabe fazer. Eu acho que a cara de pau, ser sem vergonha, é realmente essencial."

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