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Amazon enfrenta processos judiciais depois de demitir 7 grávidas

Clara Guimarães, editado por Rui Maciel 06/05/2019 11h36
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As ações vêm de diferentes lugares, mas todos relatam a mesma situação de negligência com mulheres grávidas. A empresa nega as acusações.

A CNET analisou sete processos diferentes contra a Amazon feitos por trabalhadoras grávidas que foram demitidas nos últimos oito anos. Elas alegaram que a empresa não conseguiu atender às suas necessidades. As mulheres pediam por mais tempo de uso dos banheiros e menos esforço para ficar em pé, mas todas acabaram demitidas depois de informar aos gerentes que estavam grávidas. Seis dos casos foram resolvidos fora do tribunal.


Esses casos alimentam a percepção de que a Amazon e o CEO Jeff Bezos oferecem más condições de trabalho, monitoram tempo de banheiro dos seus funcionários e exercem pressão sobre os mesmos em seus armazéns.

Caso nº 1

Beverly Rosales, uma das funcionárias gestantes, conta que seus chefes discutiam sobre sua queda de rendimento no trabalho quando contou que estava grávida. Menos de dois meses depois , ela foi demitida. "A Amazon quer vender o máximo possível de produtos", disse Rosales, que entrou com o processo em janeiro e deve ser entregue em junho. "Eles precisam de tantas pessoas que não precisam de acomodações para trabalhar lá. Elas se preocupam mais com os números do que com seus empregados".

Rebecca Kolins Givan, professora associada da Escola de Administração e Relações Trabalhistas da Universidade de Rutgers, não ficou surpresa ao escutar sobre os processos.  "O sistema é projetado para não acomodar nada que diminua sua produtividade, seja ela gravidez ou qualquer outra coisa", disse a especialista, que pesquisou a natureza mutável do trabalho nos últimos 20 anos.

Caso nº 2

Já em em novembro de 2015, Amber Sargent disse a seus chefes que seu médico a alertou contra subir escadas ou levantar qualquer coisa que pesasse mais de 9 kg. Contudo, a Amazon deixou ela de lado por um mês, sem paga-la por seu serviço. Até que, em dezembro, Sargent descobriu que teria que continuar fazendo tudo o que seu médico havia proibido. Mais um mês se passou antes que a empresa demitisse Sargent, afirmou o processo.

Caso nº 3

Uma situação similiar aconteceu com Cathleen Stewart, uma funcionária da Amazon na Pensilvânia. Ela foi tranferida para outro departamento depois de avisar seus superiores sobre a gravidez em 2011 e, através de um atestado, mostrou que precisava ir mais ao banheiro.  Um gerente de recursos humanos fez um comentário para Stewart, depreciando sua gravidez e dizendo: "Eu gostaria de ir ao muito ao banheiro também", conforme registrado em documentos judiciais.

Em outra reunião, depois de um retorno tardio do intervalo do banheiro, um gerente da Amazon disse a Stewart que "estar grávida não é desculpa para se atrasar", de acordo com seu processo.

Caso nº 4

Trudy Martinez, trabalhou no centro de atendimento da Amazon em Florence, New Jersey, e ficou gripada durante a gravidez. O médico disse a ela que não conseguia escutar os batimentos do bebê e aconselhou que descansasse por três dias. 

De acordo com o processo, uma gerente de recursos humanos da Amazon disse a ela que a empresa "não aceita anotações médicas" e a demitiu quatro dias depois.

Caso nº 5

Brittany Hagman disse a seus chefes que estava grávida em novembro de 2016, oferecendo uma nota dizendo que não podia levantar objetos pesados ou subir e descer escadas. Ela se viu fazendo exatamente isso e foi demitida dois meses depois, ao ficar doente por causa de uma febre alta.

Hagman ainda participa de uma ação maior com homens e mulheres que processam a empresa por não pagar os salários e de impedir pausas durante a hora de trabalho. 

"É errado para qualquer empregador, não importa quão grande ou pequeno seja, discriminar funcionários grávidas", disse Gavin Kassel, um advogado que representa quatro mulheres em processos contra a Amazon.

Reputação da Amazon 

A reputação da Amazon em relação ao tratamento inadequado dos trabalhadores do depósito vai além dos casos de gravidez.  

Em abril de 2018, um denunciante anônimo descobriu que os trabalhadores da Amazon no Reino Unido desenvolveram um sistema de utilizar garrafa como privada, porque se preocupavam com as penalidades sobre os intervalos do banheiro.

Em fevereiro deste ano, um ex-funcionário abriu processo contra a empresa depois de ser demitido por usar demais o banheiro. O trabalhador disse em seu processo que ele sofria do distúrbio digestivo da doença de Crohn e que a empresa discriminava sua deficiência.

Rosales viu algumas colegas que estavam grávidas nos armazéns da Amazon e que podiam retornar sem nenhum problema. Mas, ao contrário de Rosales, essas mulheres apresentavam cargos mais altos  não estavam sujeitas a tempos restritos de uso de banheiro e jornadas de 10 horas com quase nenhum intervalo. 

E, apesar das críticas, a mulher diz que gostaria de continuar trabalhando na Amazon, mas deseja que as grávidas possam ter uma hora de intervalo, em vez dos 30 minutos disponíveis por 10 horas de trabalho. Ela não encontrou um emprego desde que a Amazon a demitiu em novembro.

"Nada mudou", disse ela. "A Amazon nunca me acomodou. A Amazon não é compreensiva". 

O que a Amazon diz

Porém, a Amazon nega todas as acusações sobre as más condições de trabalho. "Não é verdade que a Amazon demitia qualquer funcionário por estar grávida; somos um empregador que oferece igualdade de oportunidades", disse uma porta-voz da empresa em um comunicado. "Trabalhamos com nossos funcionários para acomodar suas necessidades médicas, incluindo necessidades relacionadas à gravidez. Também apoiamos novos pais, oferecendo vários benefícios de maternidade e licença parental".

O porta-voz fa empresa ainda afirma: "A Amazon acomoda restrições de trabalho para funcionários grávidas dentro de nossos centros de atendimento; normalmente, essas acomodações variam, inclusive com base nas necessidades específicas do funcionário", disse uma porta-voz.

 

Fonte: CNET

 



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