Amido de milho é ingrediente promissor para impressão 3D de alimentos

Pesquisadores brasileiros e franceses estudaram composição para tornar técnica mais acessível; grupo acredita que, em breve, consumidores experimentarão produtos 3D

Leticia Riente, editado por Daniel Junqueira 10/11/2020 16h29
Amido de milho é ingrediente promissor para impressão 3D de alimentos
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Já pensou poder imprimir, em casa mesmo, chocolates, pudins e macarrão em poucos minutos? Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), e da França já tornaram isso possível por meio da impressão 3D. Agora, juntos, os estudiosos investem na descoberta de ingredientes para a impressão de outros alimentos.


Inicialmente a grande aposta da equipe são géis de amido. Apesar de a ideia ter sido concebida na França pelos pesquisadores Alain Le-Bail e Patrícia Le Bail, o grupo da USP já possuía experiência no assunto: os brasileiros já tinham desenvolvido ingredientes baseados em amido obtido de vegetais como milho, mandioca, batata e arroz.

"São [ingredientes] largamente utilizados em diversas indústrias, principalmente devido às propriedades de formar gel e absorver água. O nosso estudo modificou amidos com diferentes tecnologias para obtermos melhor performance para impressão 3D", explicou Bianca Chieregato Maniglia, pesquisadora que desenvolveu o projeto na França com períodos também vividos no Brasil e na Itália.

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Intenção é utilizar a impressão 3D de alimentos para personalizar refeições de acordo com a necessidade do consumidor. Créditos: Miriam Doerr Martin Frommherz/Shutterstock

“Juntando a experiência de todos os envolvidos, conseguimos obter géis com melhor qualidade de impressão, resultando em alimentos com melhor forma, definição e textura, todos os parâmetros essenciais para a aceitabilidade do produto”, afirmou Bianca.

Ainda de acordo com a equipe envolvida no estudo, com o gel de amido, será possível ajustar a composição dos alimentos 3D de modo a visar a necessidade do consumidor. Desta forma, o projeto é um grande passo em direção à produção de refeições personalizadas.

“Através dessa tecnologia é possível obter alimentos com características específicas, como formatos, sabores, cores e composições, que podem ser tanto interessantes e divertidos, como úteis em situações como para alimentação de crianças, idosos ou enfermos, considerando características nutricionais e de textura específicas para cada necessidade”, ressalta o coordenador do Grupo de Estudos em Engenharia de Processos (Ge²P), da Esalq/USP, o professor Pedro Esteves Duarte Augusto, sobre a técnica que também deve garantir a segurança alimentar.

X-Burger 3D?

O professor Augusto também destaca que a impressão de alimentos mais complexos pode levar mais alguns anos para ser desenvolvida por completo e com qualidade, mas, de qualquer forma, lembra que chocolates, pudins e massas alimentícias, como macarrão, já podem ser produzidos com a técnica em poucos minutos.

"Ainda estamos longe de desenvolver uma máquina que imprima um x-burger pronto para ser consumido. Por outro lado, se pensarmos em alimentos como sanduíches, algumas partes podem ser impressas, mesmo que demandem outros processos: a massa do pão poderia ser impressa no formato desejado, por exemplo, mas ainda seria necessário colocá-la no forno", exemplifica.

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O professor Augusto, que esteve envolvido com a pesquisa, exemplificou como a técnica poderia ser aplicada no preparo de um X-Burger. Créditos: NosorogUA/Shutterstock

Apesar de necessitar de vários estudos para refinamento, os pesquisadores acreditam que a impressão 3D de alimentos poderá ser experimentada em breve por consumidores em todo o Brasil, considerando que este mercado tem crescido rapidamente e em um curto período de tempo.

Cabe destacar que a pesquisa foi desenvolvida pelo Esalq/USP em parceria com a Ecole Nationale Vétérinaire Agroalimentaire et de l’Alimentation Nantes Atlantique (Oniris, na sigla em francês) e pelo Institut National de Recherche pour l'agriculture, l'alimentation et l'environnement (Inrae, na sigla em francês). Todo o projeto foi financiado pela região francesa do Pays de la Loire e, no Brasil, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também apoiaram a iniciativa.

Via: G1

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