Como a tecnologia está ajudando os refugiados a chegar com segurança à Europa

DUBLIN, Irlanda - De tão usada, a frase “fazer do mundo um lugar melhor” se tornou piada no meio tecnológico e costuma ser recebida com certa descrença no Vale do Silício, o berço da inovação. Mas basta dar uma olhada no uso que os refugiados rumo à Europa estão fazendo de serviços cotidianos e fica fácil compreender que algumas vezes a expressão faz todo sentido.

O continente vive sua maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de pessoas fugindo de conflitos civis que ocorrem principalmente na Síria. A grande diferença é que, desta vez, a tecnologia presta um auxílio importante - e não se trata de tecnologia específica, complicada, mas de coisas como Facebook, WhatsApp e Google Maps.

Em vez de confiar a vida a traficantes de pessoas, muitos migrantes se unem em torno daqueles que possuem smartphones. Eles trocam fotos, mapas e mais várias informações importantes com outros em posições diferentes. Perguntas como “sua rota deu certo?”, “há comida?”, “moradores locais dispostos a ajudar?” e “o policiamento pode ser um problema?” se misturam a coisas do tipo: “Dá para carregar aparelhos eletrônicos?” e “tem Wi-Fi pelo caminho?”.

Redes sociais servem para verificar como estão os conhecidos, compartilhar dados em tempo real e acompanhar as notícias - algo vital, já que os governantes europeus têm tratado do assunto com tanta cautela que fronteiras podem se abrir e fechar de uma hora para a outra.

Foram criados grupos no Facebook e documentos no Google Docs onde são publicadas coordenadas que levem os viajantes a locais de interesse. A atualização constante das plataformas permite que se administre os suplementos conforme a quantidade de pessoas atendidas.

Há quem percebeu a situação e tente se aproveitar dos migrantes: um chip telefônico que custa cerca de US$ 1,50 pode sair por mais de US$ 20, dependendo da região e do vendedor, e muitos taxistas chegam a quintuplicar o valor das corridas.

Por outro lado, outros trabalham para ajudar. Em Belgrado, capital da Sérvia, um grupo oferece Wi-Fi gratuito para que os viajantes não precisem gastar pequenas fortunas usando dados fora de seus países; quando as pessoas se conectam ali, são direcionadas a um aplicativo que informa preços corretos de corridas de táxis, localização de banheiros, lugares para encontrar comida, entre outras coisas.

A imprensa europeia está recheada de exemplos em que o uso da tecnologia ajudou a prevenir os viajantes contra situações complicadas. O Irish Times acompanhou o afegão Ramiz, de 20 anos, que se tornou líder involuntário de um grupo por possuir celular capaz de acessar a internet. “É assim que nós viajamos. Como você acha que chegamos aqui?”, questionou ele ao repórter quando estavam parados na fronteira da Hungria. Um grupo antes deles foi confrontado por policiais, mas alguém encontrou uma brecha na confusão para enviar mensagem a quem vinha atrás como um aviso de que aquela não era uma boa rota. Ramiz fez o mesmo ao perceber que também não estava num bom caminho.

O Business Insider lembra outra situação, ocorrida na semana passada, quando a Hungria teria tentado emboscar centenas de migrantes fazendo-os acreditar que um trem específico iria para Áustria e Alemanha, quando na verdade seria direcionado a um campo de refugiados. Antes de embarcar, as pessoas conseguiram se comunicar com quem estava na estação de Budapeste e decidiram não encarar a viagem.

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