Executivos declaram que Apple sabe do trabalho escravo nas fábricas da Foxconn

De acordo com fontes, abusos de serviços continuam porque "não há outra alternativa". Para ex-executivo, muitos ficariam perturbados se conhecessem a origem do iPhone

De acordo com uma reportagem publicada nesta quinta-feira (26/01) pelo The New York Times, a Apple, que frequentemente é acusada de trabalho escravo nas fábricas chinesas da Foxconn, afirmou que está ciente dos abusos existentes nas unidades.

As informações foram declaradas por mais de trinta operários atuais ou antigos, além de cerca de seis executivos também atuais ou antigos da empresa da maçã, todos sob condições de anonimato. O texto fala sobre as péssimas e desumanas condições de trabalho nas instalações da Foxconn, na China. Trechos trazem as péssimas condições do ambiente e a agonia de funcionários que sofreram acidentes ou de pessoas que perderam parentes dentro da companhia, como em cenários de explosões e serviços forçados.

"Nós já sabíamos dos abusos de trabalho em algumas fábricas há quatro anos e, mesmo assim, eles ainda estão acontecendo. Por quê? Porque o sistema funciona para nós. Os fornecedores mudariam tudo amanhã se a Apple dissesse não haver outra alternativa", disse um ex-executivo da Apple que, assim como outros citados na matéria, falou sob condição de anonimato devido a acordos de confidencialidade assinados com a companhia.

Outros ex-executivos da maçã dizem que há uma tensão dentro da empresa: uma parte quer melhorar as condições nas fábricas, mas todo o empenho nesse sentido se esgota pela necessidade da entrega rápida de novos produtos e lucros incessantes. O árduo sistema de produção na China tornou possível fazer dispositivos de maneira rápida e surpreendente, e não apenas para a Apple. Outras empresas de tecnologia, como Dell, HP, IBM, Lenovo, Motorola, Nokia, Sony e Toshiba também foram citadas na entrevista.

Ainda segundo a reportagem, menores de idade têm ajudado a construir os produtos da Apple, como iPhones e iPads, e os fornecedores têm descartado resíduos tóxicos de forma inadequada, gerando uma série de infrações já registradas pelas auditorias promovidas pela própria Apple. Contudo, não houve sequer uma solução mais eficaz para o problema. Além disso, os funcionários trabalham horas extras excessivas - e, em alguns casos, sete dias por semana -, e vivem em dormitórios lotados.

Os executivos argumentam que o sistema não é dos melhores, mas que uma possível reforma radical poderia tornar o processo de produção mais lento. As pessoas querem inovações eletrônicas todo ano e isso custa dinheiro. Como a mão de obra na China é mais barata do que em outros locais, o país se tornou o paraíso para que as gigantes da tecnologia produzam seus dispositivos de maneira rápida e a baixo custo.

"A Apple nunca se preocupou com nada além de aumentar a qualidade dos seus produtos e diminuir o custo de produção. O bem-estar dos trabalhadores não faz parte dos interesses da Apple", disse Li Mingqi, que até abril de 2011 trabalhou na administração da Foxconn. Li está processando a taiwanesa por causa da sua demissão. Quando era funcionário, ajudou a gerenciar a fábrica de Chengdu, onde ocorreram explosões.

Em 2010, Steve Jobs falou sobre as relações da empresa com os seus fornecedores, em uma conferência para investidores da indústria. "Acho que a Apple faz um dos melhores trabalhos entre todas as companhias em nossa indústria, e talvez em qualquer setor, ao compreender as condições de trabalho na nossa cadeia de fornecimento. É uma fábrica, mas eles têm restaurantes, cinemas, hospitais e piscinas, e, para uma fábrica, isso é muito bom."

Um ex-executivo da Apple afirmou que "realmente estamos tentando fazer com que as coisas fiquem melhores. Mas a maioria das pessoas ainda ficaria perturbada se visse de onde vem o seu iPhone".

Apple responde

Por meio de uma carta enviada a seus funcionários, Tim Cook, CEO da Apple, rebateu a reportagem do The New York Times. O site 9to5Mac divulgou o documento, que traz afirmações como, por exemplo, a de que a Apple "se preocupa com cada um de seus trabalhadores em toda a cadeia do processo. Qualquer acidente é um problema, e qualquer incidente relacionado a condições de trabalho é motivo de preocupação. Qualquer insinuação de que não nos preocupamos é falsa e ofensiva para nós". Ele ainda afirma que a Apple inspeciona cada vez mais fábricas todos os anos, expandindo cada vez mais a fiscalização para todas as suas fornecedoras. "A gente desconhece qualquer um em nossa indústria que faça tanto quanto nós, em tantos lugares, com tantas pessoas".

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