Exército dos EUA compra dados de usuários de aplicativos islâmicos

São usados aplicativos de diversas categorias, incluindo um que já soma quase 100 milhões de downloads; desenvolvedores dizem que não vão mais compartilhar dados

Da Redação, editado por Daniel Junqueira 17/11/2020 17h38
Cidade de Meca, na Arábia Saudita
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O Exército dos Estados Unidos está comprando dados de aplicativos com movimentação de pessoas em vários países. Os softwares envolvidos neste esquema estão, em sua maioria, no Oriente Médio, região onde há forte presença de pessoas muçulmanas.


Uma reportagem revelou que a corporação fez parceria com duas empresas que trabalham diretamente com os desenvolvedores de aplicativos de celular.

Um dos apps é o Muslim Pro, que é bastante popular entre a comunidade islâmica. Ele é usado para lembrar os religiosos sobre o horário da Salá, um rito diário, e oferece o texto do Alcorão, o livro sagrado do Islã. A lista conta ainda com aplicativos de relacionamento, de previsão do tempo e até um app de nivelamento de objetos.

Os dados são captados por meio de dois fluxos paralelos. O primeiro está sob responsabilidade da empresa Babel Street, que criou um produto Locate X para auxiliar as tropas americanas antiterrorismo no exterior.

ReproduçãoSegundo a tradição islâmica, os seguidores precisam realizar cinco orações diárias com o corpo em direção à cidade de Meca, na Arábia Saudita, berço da religião. Foto: Konevi / Pixabay

O segundo fluxo é realizado pela X-Mode, que capta os dados de localização dos usuários, diretamente dos aplicativos envolvidos. Depois da captação, a empresa vende os dados para empresas parceiras e para o exército.

Tomando como exemplo o Muslim Pro, que é um dos principais, além das funções básicas, ele tem uma ferramenta que indica ao usuário o seu posicionamento em relação à cidade de Meca, na Arábia Saudita. Isso porque, conforme a religião prega, as orações devem ser feitas com o corpo direcionado ao local sagrado.

Nesse contexto, a população utiliza o aplicativo para ter certeza da posição indicada, e o X-Mode, se aproveitando desta função, vende as informações de localização.

De acordo com alguns desenvolvedores de aplicativos, mesmo que um usuário leia todos os termos de privacidade de uma aplicação, ele pode não perceber que seus dados serão vendidos pela empresa que o administra.

O que dizem os envolvidos 

O porta-voz da Marinha americana, Tim Hawkins, confirmou a compra do Locate X e disse que a corporação tem acesso ao software somente para apoiar as missões. "Cumprimos estritamente os procedimentos e políticas estabelecidos para proteger a privacidade e as liberdades civis, direitos constitucionais e legais dos cidadãos americanos", comentou.

Já a Babel Street, por meio de uma nota oficial, afirmou que nem sempre os dados de localização são precisos e se recusou a responder perguntas da imprensa.

O aplicativo Muslim Pro, que se autointitula "o aplicativo muçulmano mais popular", garantiu que não vai mais compartilhar dados com a empresa X-Mode.

Fonte: Vice EUA

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