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Facebook aplica regra para proteger dados de usuários e se afasta mais da China

Redação Olhar Digital 07/03/2019 13h10
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Rede social afirma que não construirá centros de dados em países com um histórico de violações de direitos humanos, como privacidade ou liberdade de expressão.

Após diversos escândalos envolvendo vazamento de dados e violação de normas de privacidade o Facebook, ao que parece, está querendo se redimir. No entanto, ao deixar claro que estará mais focado na proteção das informações de seus usuários, a rede social acabou se indispondo com a China. O CEO Mark Zuckerberg apontou que está disposto a ser banido em países que não respeitam a questão da segurança das informações, e isso inclui o enorme mercado chinês e seu atrativo mercado de quase 1,4 bilhão de pessoas.


"Há uma diferença importante entre fornecer um serviço a um país e armazenar os dados das pessoas nesse país. À medida que construímos nossa infraestrutura em todo o mundo, optamos por não construir centros de dados em países com um histórico de violações de direitos humanos, como privacidade ou liberdade de expressão", afirmou Zuckerberg "Se construirmos centros de dados e armazenar dados confidenciais nesses países, em vez de apenas armazenar dados não confidenciais em cache, isso pode facilitar a obtenção de informações por parte desses governos. Manter esse princípio pode significar que nossos serviços serão bloqueados em alguns países ou que não poderemos entrar em outros em breve. Essa é uma troca que estamos dispostos a fazer". 

O co-fundador do Facebook afirmou ainda que "o armazenamento de dados em mais países também estabelece um precedente que encoraja outros governos a buscar maior acesso aos dados de seus cidadãos e, portanto, enfraquece a privacidade e a segurança para pessoas em todo o mundo". 

O relato de Zuckerberg atinge diretamente a China, com a qual o Facebook tem um relacionamento ambivalente. Os censores digitais chineses bloquearam a rede social em 2009 e, desde então, a empresa fez várias tentativas para conquistar a liderança do país. Um relatório de 2016 afirma que o Facebook está testando uma ferramenta que permite que um parceiro chinês monitore e manipule quais postagens podem aparecer na timeline dos usuários, tornando o Facebook aceitável para os censores. 

Além disso, as declarações de Zuckerberg atingem diretamente uma espécie de desafeto do Facebook: a Apple. Durante o auge da crise envolvendo a Cambridge Analytica, a criadora do iPhone criticou duramente a rede social pela questão da privacidade e ainda aproveitou para se promover um pouco, dizendo o quanto está preocupada com a segurança das informações de seus clientes. No entanto, na própria China, a Apple migrou dados de seus usuários para servidores controlados pela operadora estatal China Telecom, ainda que a empresa de Cupertino afirme que mantém um forte controle da privacidade do usuário. Ou seja, o discurso sobre a segurança de dados da Maçã funciona, pero no mucho, já que a empresa não está disposta a perder a sua fatia na venda de iPhones no mercado chinês - que já foi maior e hoje perdeu espaço para fabricantes locais como a Huawei e a Xiaomi.

De qualquer forma, se Zuckerberg levar a ferro e fogo as declarações ditas acima, o Facebook verá suas chances de expansão no mercado chinês desaparecem a curto prazo. Se esse é o preço que a empresa está disposta a pagar, só devemos elogiá-la. 

Fonte The Verge 

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