Google afirma ao Procon que continuará dando suporte do Android à Huawei. Mas só até 19 de agosto

O Google informa que segue regulamento emitido pelos EUA, e que, nos termos do Temporary General License, será permitido que trabalhe com a Huawei até a data em questão.

Rui Maciel 06/06/2019 20h06
Huawei
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Em retorno ao questionamento da Fundação Procon-SP sobre a continuidade de suporte do Android aos smartphones da Huawei, o Google afirmou que manterá todas as atualizações de software e correções de segurança para modelos de aparelhos da marca já existentes. No entanto, a gigante das buscas afirmou que realizará todos esses procedimentos até o próximo dia 19 de agosto,  quando expira a licença temporária, de 90 dias, para que a chinesa faça negócios com companhias americanas.


O Google informa que segue regulamento emitido pelos EUA, e que, nos termos do Temporary General License, será permitido que trabalhe com a Huawei até a data em questão. A companhia chinesa, por sua vez, informou que continuará fornecendo atualizações de segurança e serviços de pós-venda para todos os seus produtos, cobrindo aqueles que já foram vendidos ou ainda estão em estoque. 

Entre as outras empresas que foram notificadas Procon sobre a questão, a B2W, o grupo GPA, Magazine Luiza, Walmart, Vivo, TIM, Nextel e OI repassam a responsabilidade de atualização e suporte para o Google e para Huawei e entendem que o cenário ainda se mostra confuso. Nenhuma das empresas garante o reembolso de valores ou alternativas de utilização dos serviços.

A preocupação do Procon-SP é que os consumidores que adquiriram celulares da Huawei tenham a expectativa frustrada de uso dos aplicativos Google. Ressalta-se que quando adquiriram o produto podem não ter sido informados de forma clara, prévia e adequada de eventual indisponibilidade de recursos operantes.

Também notificadas, as empresas Fast Shop, Carrefour e Claro ainda não responderam ao Procon-SP.

A entidade afirma ainda que está acompanhando a situação e, caso o consumidor tenha algum tipo de prejuízo, tomará providências nos termos do Código de Defesa do Consumidor.

Entenda o caso

Depois de entrar na lista negra de comécio de Donald Trump — uma relação de empresas que não podem comprar tecnologia de companhias norte-americanas sem a aprovação do governo —, a Huawei começa a sofrer as consequências: no último dia 19 de maio, o Google cortou a licença do Android para os celulares da marca. Com isso, a fabricante perderia o acesso a atualizações futuras do sistema operacional e fica restrita a updates do Android Open Source Project (AOSP).

Ao perder esse suporte, os próximos celulares da Huawei podem vir sem os aplicativos oficiais da marca (Gmail, Docs, Duo, Calendar, Fotos e outros) e sem acesso à Play Store. Além disso, todo o suporte técnico também deve ser cortado, o que deixa os aparelhos da fabricante restritos a licenças do AOSP. 

Isso significa que a Huawei só pode enviar atualizações de segurança para o Android assim que elas forem oferecidas no AOSP, desde que a empresa use seu próprio sistema de atualização. Ainda não está claro como isso pode afetar a gama completa de integrações Android das quais a Huawei depende. 

Isso, no entanto, deve ser válido apenas para os futuros aparelhos da empresa. Os dispositivos já existentes no portifólio da Huawei continuarão a receber atualizações normal de aplicativos pelo Google Play e receber os pacotes de segurança lançados mensalmente pelo Google. 

Em comunicado enviado ao Olhar Digital, a Huawei reafirma que as sanções só serão válidas a partir dos próximos lançamentos da empresa. "Todos os smartphones existentes do portfolio Huawei, ou seja, aqueles que já foram vendidos e aqueles que estão atualmente à venda e em estoque, podem ser usados normalmente e não serão afetados. Além disso, esses dispositivos podem continuar a usar e atualizar serviços do Google, como o Google Play, o Gmail, etc. Da mesma forma, esses produtos continuarão recebendo atualizações dos patches de segurança do Google e poderão atualizar, sem nenhum problema, todos os aplicativos disponíveis no Google Play, incluindo todos os aplicativos de terceiros", diz a companhia.

No entanto, poucos dias depois, o governo norte-americano suspendeu a inclusão da Huawei nesta lista negra por três meses - até o dia 19 de agosto - para que as empresas norte-americanas que fazem negócios com as chinesas pudessem se adaptar, sem prejuízos financeiros. 

A Huawei está sob crescente pressão do presidente Donald Trump e do governo dos EUA, que temem que sua infraestrutura de telecomunicações — vendida a uma série de países mundo afora — possa ser usada pelo governo chinês para espionar as redes 5G norte-americanas. Esses temores não são novos. Em 2018, por exemplo, as agências de inteligência dos EUA alertaram sobre o uso de dispositivos Huawei e ZTE (também chinesa) para espionagem e políticos do país acusaram a fabricante de ser "efetivamente um braço do governo chinês".

Além disso, em dezembro de 2018, Meng Wanzhou, vice-presidente do conselho administrativo da Huawei e presidente financeira da empresa (CFO), foi presa em Vancouver, no Canadá, e aguarda extradição para os EUA, onde foi acusada de violar sanções ao Irã. Hoje, depois de pagar fiança, ela está em liberdade condicional, a espera de julgamento. 

A Huawei sustenta que não é possível para o governo chinês usar sua infraestrutura de redes 5G para instalar backdoors e continua otimista em relação ao futuro de seus negócios. No entanto, a suspensão praticada pelo Google representa um grave risco para ela na área de smartphones, em que  a fabricante já é a segunda colocada em vendas globais depois de superar a Apple.  

Como já previa que esse tipo de episódio poderia ocorrer, a Huawei já tinha um "plano B": a marca já desenvolve um sistema operacional proprietário, que pode ser usado se o relacionamento com o Google continuar suspenso. A existência dessa plataforma foi confirmada por Richard Yu, o CEO da Huawei.

Em entrevista ao jornal alemão Welt, em março, ele afirma que "nós preparamos nosso próprio sistema operacional. Se por acaso ocorrer uma situação em que não possamos mais usar esses sistemas [Android e Windows], estaremos preparados. Esse é nosso plano B. Mas, é claro, preferimos trabalhar com os ecossistemas do Google e da Microsoft".


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