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JOBS: homenagem ao criador da Apple abusa de estereótipos

Kaluan Bernardo, editado por Renato Santino 05/09/2013 20h20
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Steve Jobs era perfeccionista, atento aos detalhes, sempre em busca de um resultado que surpreendesse seu público. É uma pena que, no filme jOBS, o diretor Joshua Michael Stern e o roteirista novato Matt Whiteley não tenham seguido a filosofia do biografado.

A película começa em 2001 com Ashton Kutcher na pele de um Steve Jobs de meia-idade apresentando o iPod ao mundo. Logo na primeira cena, nota-se a característica que permeia o filme inteiro: discursos e mais discursos inspiracionais. O problema é que, de tanto bater nessa tecla, o longa acaba ficando com aspecto de “auto-ajuda para empreendedores”.

jOBS retoma a juventude do protagonista para mostrar sua trajetória profissional – desde o primeiro emprego na Atari, passando pela criação do Apple I, Apple II, a demissão da companhia que fundou e seu retorno quando ela estava prestes a falir.

Ashton Kutcher faz um bom trabalho e encarna bem o personagem, com suas peculiaridades e temperamento difícil. No entanto, não consegue deixar 100% de lado o Ashton Kutcher de “That’s 70 Show”, “Two and a Half Man” e algumas comédias românticas que estrelou. O resultado é um retrato fiel, porém com trejeitos de Kutcher.

A maior parte dos problemas do Steve Jobs mostrado no filme não é responsabilidade do ator, mas sim de Stern e Whiteley. Diretor e roteirista se apegaram demais ao estereótipo de “gênio-arrogante” e falharam em tentar entender o personagem. Quem assiste ao filme, passa o tempo todo incomodado com o "maior imbecil do mundo, mas que, para o bem ou para o mal, era genial".

Gênio até demais. No início do longa, quase como um passe de mágica, tudo dá certo para o inventor que “sempre soube que era melhor que todos e tinha em sua cabeça material suficiente para não se importar com ninguém... afinal, ele iria revolucionar o mundo”. E o pior é que todos os personagens, por mais humilhados que sejam por Jobs, continuam adorando-o.

Mas o líder da Apple era mais do que isso, embora os responsáveis pelo roteiro não valorizem tanto este aspecto. Seu lado humano até chega a ser retratado em algumas oportunidades, como, por exemplo, quando recusou a paternidade de uma filha diante da revelação de que a antiga namorada Chrisann Brennan estava grávida. O drama surge, mas logo é esquecido. No fim do filme, no entanto, há uma cena em que Jobs convive com Chrisann e seus filhos, mas nada é explicado.

Reprodução

Resta para Steve Wozniak (Josh Gad), cofundador da Apple, tentar equilibrar a balança de arrogância de Steve Jobs. Porém, Woz também é pintado de forma estereotipada como “o gordinho nerd sempre com boas intenções”, que apenas lembra ao protagonista quão egoísta e mesquinho ele é.

Apesar das mais de duas horas de duração, o filme deixa uma série de furos no roteiro. Além disso, momentos importantes da carreira de Jobs, como sua participação na Pixar e a visita à Xerox, não são citados. A rivalidade com Bill Gates é apenas pincelada em uma cena, diminuindo o criador da Microsoft a um mero “ladrão de ideias”.

O que conduz o roteiro, então? Discursos de “vamos revolucionar o mundo”, desnecessariamente longos, além de algumas cenas desconexas que não levam nada a lugar nenhum. Até mesmo o verdadeiro Steve Wozniak, ao assistir o filme, relatou: "Me senti mal por muitas pessoas que conheço bem e que foram erroneamente retratadas em seu convívio com Jobs e a empresa".

Graças à atuação de Kutcher e alguns momentos da história de Steve Jobs, o filme tem pontos positivos. Funciona mais como uma homenagem ao ex-CEO da Apple. Esse aspecto pode facilmente ser notado na excelente trilha sonora, recheada de artistas como Cat Stevens e Bob Dylan, admirados publicamente por Jobs.

A homenagem é bacana e seria mais justa se o filme não se prendesse a estereótipos superficiais. Por sorte, há outro filme de Steve Jobs sendo produzido. Este, conta com conselhos de Steve Wozniak, é produzido pela Sony e tem a assinatura de Aaron Sorkin, responsável pelo bem-sucedido “A Rede Social”.

Nota: 6

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