Nova tecnologia revela chifre facial em fóssil embrionário de dinossauro

Microtomografia sincrotron produziu uma imagem 3D altamente detalhada do crânio de um saurópode, dinossauro conhecido pelo pescoço alongado

Guilherme Preta, editado por Fabiana Rolfini 28/08/2020 11h55
Filhote de saurópode
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Um raro embrião preservado dentro do ovo encontrado na Argentina pode ter revelado uma característica curiosa dos saurópodes, aqueles famosos dinossauros pescoçudos. Vestígios do fóssil mostram que parte do crânio de embriãos foi estendido em um focinho ou chifre alongado, de modo que eles possuíam um rosto de formato peculiar.


“A preservação de dinossauros embrionários dentro de seus ovos é extremamente rara”, explicou John Nudds, paleontólogo da Universidade de Manchester, na Inglaterra.  “Uma face em forma de chifre e uma visão binocular são características bastante diferentes do que esperávamos em titanossauros”, destacou Martin Kundrát, paleobiólogo da Universidade Pavol Jozef Šafárik, na Eslováquia.

Para chegar à imagem do embrião, foi usada uma nova tecnologia de imagem chamada microtomografia sincrotron, o que produziu uma imagem 3D altamente detalhada do crânio do dinossauro. “Parte do crânio desses saurópodes embrionários foi estendido em um focinho ou chifre alongado, de modo que eles possuíam um rosto de formato peculiar”, detalhou Nudds.

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Tecnologia inovadora permitiu recriar cabeça do filhote. Foto: Martin Kundrát/Current Biology

O uso mais óbvio para essa estrutura seria para romper a casca do ovo, mas os pesquisadores afirmam não ser possível ter certeza disso. Isso porque, embora não seja possível concluir a posição exata do embrião dentro do ovo, o chifre não está posicionado corretamente para tal uso, se comparado com os répteis atuais.

Além disso, a estrutura óssea faz acreditar que o chifre persistia por um certo período nessa espécie. Os dentes de ovo, como são chamados, geralmente são eliminados logo após a eclosão.

Visão binocular

Além disso, as órbitas oculares do fóssil estavam posicionadas mais a frente do que as vistas nos adultos da espécie. Isso levou a equipe a concluir que “os saurópodes titanossauros jovens puderam se beneficiar de uma capacidade temporária de uma visão binocular parcial para uma percepção visual muito melhor”.

Com isso, os filhotes poderiam ter a habilidade de avaliar melhor as distâncias até o alimento ou de localizar predadores camuflados. Quando adultos, e já com possivelmente mais de 50 metros de comprimento, essas habilidades não seriam mais necessárias.

“Por ser diferente em anatomia facial e tamanho dos embriões de saurópodes da região em que foi encontrado, não podemos descartar que possa representar um novo titanossauro”, finalizou Kundrat

Via: Space

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