O lado ruim que Hollywood não mostra em filmes de viagens espaciais

Imagine ficar meses confinado em um pequeno espaço com apenas uma ou duas pessoas para conversar diariamente. Não há muito o que fazer e a vista, mesmo magnífica, torna-se maçante depois de algum tempo. Obviamente, com este último comentário, não estamos falando de uma cela, e sim de uma nave especial. Mas ela bem que poderia ser comparada com uma prisão, só que ainda mais desgastante mentalmente.

Na maior parte das vezes os filmes de Hollywood ignoram todo como uma viagem espacial pode ser dolorosa fisicamente e mentalmente para os tripulantes. Afinal, eles têm problemas maiores para resolver, como salvar a Terra de algum meteoro ou encontrar outros planetas para habitar.

Fato é que desde a chegada do homem à Lua, os efeitos das viagens espaciais têm sido estudos com afinco pelos pesquisadores que tentam entender as consequências dessas idas e vindas nos corpos dos astronautas a curto e longo prazo. Quase 50 anos depois, já tivemos diversas descobertas e elas não são nada boas.

Sabemos, por exemplo, que os viajantes espaciais enfrentam uma série de problemas físicos que vão desde a perda de massa óssea até a alteração da visão. Há também aumento no risco de sofrer um ataque cardíaco e desenvolver doenças degenerativas ou mesmo câncer.

Por si só, isso já seria um baita motivo para que você abandone aquele sonho de criança de ser um astronauta (vale destacar que, naquela época, você talvez achasse que todos os astronautas eram como os personagens do filme “Armageddon”). Contudo, mais recentemente estamos descobrindo como as viagens para fora de nosso adorável planeta podem nos desgastar mentalmente.

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Os estudos sobre as alterações psicológicas se intensificaram nos últimos meses após a Rússia, que parece querer reiniciar a corrida espacial dos anos 1960, anunciar o ambicioso projeto de “colonizar” Marte. Além das condições quase inóspitas de vida no Planeta Vermelho, ao que sabemos até agora, uma viagem até lá levaria meses para ser concluída.

Para se ter ideia, em 1976, a tripulação russa do Soyuz-21 voltou â Terra pois relatou um odor estranho dentro da estação espacial Salyut-5. Técnicos da Nasa investigaram durante meses o ocorrido e chegaram à conclusão de que o cheiro foi, provavelmente, uma alucinação devido aos efeitos de confinamento.  

Em outro episódio, uma equipe de astronautas se dirigia até a estação espacial americana Skylab quando decidiu que iria desligar a comunicação com a Nasa durante horas. O motivo seria a exaustação e as divergências entre os próprios astronautas. Dá para imaginar o desespero de quem estava na Terra quando a comunicação simplesmente cessou?

Mesmo assim, até hoje não se sabe as razões pelas quais o humor dos astronautas muda quando estão em órbita. Pesquisadores mais céticos acreditam que se tata de problemas cerebrais causados pela longa distância de casa e alto nível de estresse do trabalho. Eles também acreditam que o corpo humano não esteja adaptado para viver fora da Terra e isso influencia no próprio cérebro.

Segundo o especialista em psicologia e neurociência Vaughan Bell, da University College London, o suprimento de sangue evoluiu para funcionar na gravidade terráquea. Sem ela, o cérebro acaba não recebendo tanto oxigênio quanto deveria.  

Já no Laboratório de Neuropsicologia e Biomecânica do Movimento, da Universidade Livre de Bruxelas, os cientistas observaram que o cérebro realmente trabalha de forma diferente quando está em órbita, gerando uma pequena queda na capacidade mental dos astronautas.

Para os estudiosos da área das áreas da psicologia e psiquiatria, a distância do ser humano com a sua terra natal, no caso o planeta Terra, leva a estado patológico de “ansiedade de separação”. Eles afirmam que, em casos extremos, as consequências poderiam chegar ao suicídio e até à destruição do veículo espacial causando a morte dos outros astronautas.

Via UOL

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