Apple Music

Opinião: vale a pena apostar no Apple Music?

Leonardo Pereira 30/06/2015 16h54
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Não dá para dizer que a Apple reinventou o streaming musical com o serviço disponibilizado nesta terça-feira, 30, mas o Apple Music é, sem dúvidas, uma das melhores opções do mercado. Isso não significa que o novo produto da maçã seja perfeito.

Como é?

ReproduçãoA introdução ao Apple Music não é tão direta quanto a do Spotify, Deezer e Rdio. Ao abrir o aplicativo - que substitui o tocador de músicas tradicional no iOS 8.4 - o usuário precisa informar quais são seus gêneros e artistas favoritos por um sistema de bolhas: não gosta? Mantenha a bolha pressionada e o gênero/artista desaparecerá; gosta? Dê um toque ou dois para aumentar a bolha a um ponto que deixe a sua preferência visualmente clara.

O Apple Music é cheio de recursos, o que dificulta um pouco a navegação. Na barra inferior há cinco links: "Para Você", "Novo", "Rádio", "Connect" e "Músicas". O primeiro mostra o resultado daquele triagem inicial, são sugestões de artistas e músicas dentro dos gêneros que você indicou e com base naquilo que você ouvir.

No outro aparecem novidades em geral ou por gênero. O link do meio mostra rádios de acordo com gêneros (são basicamente listas de reprodução), enquanto o Connect abre uma espécie de rede social que os artistas podem usar para divulgar novidades. Essa área também pode ser acessada através do perfil de cada banda e traz coisas como vídeos e um espaço para comentários dos fãs (basicamente um Facebook em miniatura que me soa levemente inútil).

No fim há a área Músicas, que é o antigo player do sistema operacional. Ele ganha possibilidades interessantes graças à integração do streaming com a mídia que está no aparelho. O Spotify já faz isso nos desktops: ao abrir o app, o usuário consegue sincronizar o que ouve na nuvem com o que está na máquina; no Apple Music é a mesma coisa, só que com o iPhone.

Ok, mas é bom?

Sim, muito. O Apple Music tem visual meio poluído e até uma rede social dentro dele, mas nada disso o impede de rodar com uma fluidez que chega a impressionar. Dependendo da qualidade da conexão, você consegue reproduzir, pausar, pular e escolher trechos das músicas com bastante facilidade, sem engasgo.

Há duas questões, entretanto, que podem demandar uma revisão futura. A primeira é o preço: cobrando US$ 4,99 pelo plano individual, o serviço custa hoje R$ 15,47 por mês mais o IOF de 6,38%, ou seja, R$ 16,46 - mas isso hoje, se o dólar disparar o usuário acaba pagando mais caro. Principal concorrente, o Spotify sai por R$ 14,90.

E aí entra a segunda questão: você é obrigado a pagar se quiser conferir o catálogo de 30 milhões de músicas do Apple Music, porque não há um plano gratuito, como há nos principais concorrentes. Esse é justamente um dos fatores que podem explicar o recente (e em andamento) fracasso do Tidal, serviço de streaming do rapper Jay Z. Num primeiro momento a Apple talvez não sofra qualquer rejeição porque os primeiros três meses de uso são gratuitos e a renovação é automática, então é bem capaz que muita gente só perceba que precisa pagar depois de ver a cobrança na fatura do cartão.

É difícil prever se essa combinação de teste gratuito com renovação automática dará errado. Eu chuto que ela irá retardar o processo de rejeição, mas não impedi-lo. Com o tempo, a Apple pode ser obrigada a rever sua política de planos para não acabar como o Tidal. Se isso acontecer o Spotify enfim terá de se preocupar com a concorrência.

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