Tudo o que você precisa saber sobre a sonda que está passando por Plutão

Hoje, às 8h49 (horário de Brasília), a sonda New Horizons passou a 766 mil quilômetros de Plutão. Pode parecer muito, mas esta é a menor distância a que uma sonda da NASA já passou do planeta.

Graças a essa aproximação, a agência americana produziu as imagens mais nítidas do último planeta do nosso sistema solar em sua em toda a sua história. As capturas, no entanto, são resultado de muitos anos de planejamento, investimento e viagens. Conheça mais sobre a história da sonda pioneira a seguir.

Lançamento

Embora só tenha chegado perto de Plutão agora, a New Horizons foi lançada às 2 da tarde do dia 19 de janeiro de 2006 - nove anos e meio atrás! Ela saiu da estação da Força Aérea dos EUA em Cape Cannaveral, na Flórida, uma base de lançamento de foguetes operada pelo Laboratório de Física Aplicada (APL na sigla em inglês) da Johns Hopkins University.

Reprodução 

A estação de Cape Cannaveral já tinha diversos lançamentos famosos em seu histórico: foi dela que partiram, por exemplo, o primeiro satélite dos Estados Unidos (em 1958), a nave que levou o primeiro astronauta norteamericano (em 1961), e foi dela que saíram as primeiras espaçonaves a passar perto de cada um dos planetas do sistema solar - a New Horizons sendo a última delas.

Curiosamente, a sonda só pode ser lançada na terceira tentativa. As duas primeiras tentativas de lançamento foram abortadas, a primeira por conta de ventos fortes na região e a segunda por causa de uma falta de energia no APL.

As sondas precisam ser lançadas acopladas a foguetes, para conseguir vencer a gravidade terrestre. Posteriormente, elas se desacoplam deles e seguem viagem sozinhas. A New Horizons foi assim também: ela foi lançada junto a um foguete Atlas V, da Lockheed Martin. Um vídeo do lançamento pode ser visto aqui.

A missão

O objetivo principal da New Horizons era ajudar astrônomos e cientistas a entender mais sobre o planeta distante e sobre o ainda mais distante Cinturão de Kuiper - uma espécie de cinturão de asteróides enorme que envolve o nosso sistema solar.

O Cinturão de Kuiper é formado principalmente por pequenos corpos celestes (que não saão nem planetas, nem planetas-anões, nem satélites) que, acredita-se, são restantes do processo de formação do Sistema Solar. Plutão é um dos planetas-anões que existem no cinturão, mas outros dois já são conhecidos. Eles se chamam Haumea e Makemake. A imagem abaixo ajuda a visualizar o cinturão:

A National Academy of Sciences (academia nacional de ciências dos Estados Unidos) classificou a exploração dessa região como prioridade máxima para as questões do sistema solar. Isso porque ela pode nos ajudar a entender qual é a relação de Plutão e suas luas com os outros planetas do sistema.

Nosso sistema solar é dividido, basicamente, entre planetas rochosos (Mercúrio, Venus, Terra e Marte) e gigantes gasosos (Jupiter, Saturno, Urano e Netuno). Plutão, por outro lado, pertence a uma classe separada de planetas: trata-se de um “anão gelado”. Ao entender melhor a relação entre esses diferentes tipos de planetas, a NASA poderá contar melhor a história do nosso sistema solar.

De acordo com Dennis Reuter, um dos criadores do equipamento da New Horizons, “Plutão e o Cinturão de Kuiper compõem um objeto novo do sistema solar que nunca foi explorado antes”

Descobertas

Além de tirar a foto mais próxima de Plutão da história da NASA, a New horizon também fez outras descobertas interessantes. Entre elas, a sonda encontrou quatro luas até então desconhecidas do gélido planeta. Elas se chamam Nix, Hydra, Styx e Kerberos. Charon, outra lua do planeta, já era conhecida:

 

Algumas outras perguntas que a sonda tentará responder sobre Plutão nessa missão são: de que é feita a atmosfera do planeta, como as partículas que chegam do Sol até lá reagem com ela e como são as estruturas geológicas de Plutão.

Embora 14 de julho seja a data na qual a sonda passará mais perto do Planeta, o período de “sobrevoo” da New Horizons por Plutão é de cinco meses. Após esse tempo, ela seguirá para mais longe ainda no Cinturão de Kuiper para explorar alguns mini-planetas gélidos contidos no cinturão.

Equipamento

 Reprodução

Para poder fornecer o máximo de informação adequada aos cientístas, a New Horizons, além de seu sistema de voo, levou até Plutão também uma série de instrumentos de medição. A imagem abaixo mostra a localização deles na sonda.

O Ralph é um gerador de imagens e espectrômetro que é capaz de “ver” ondas eletromagnéticas tanto no espectro visível aos olhos humanos quanto infravermelhas. Ele permite que a sonda perceba as cores, a temperatura e a composição das regiões dos planetas estudados. Com isso, os cientistas entenderão melhor tanto a composição atual do planeta quanto sua história geológica.

Sua companheira, a Alice, tem basicamente a mesma função, mas é especializada em ondas eletromagnéticas do espectro ultravioleta. Ela permite que a sonda “perceba” a composição e a estrutura da atmosfera de Plutão, e também possibilita detectar atmosferas em outros objetos do Cinturão de Kuiper que a New horizons explorará no futuro.

O REX (Radio Science Experiment) também participa na medição da composição da atmosfera e da temperatura dos objetos analisados pela sonda, além de possuir também um radiômetro (aparelho que mede radiação eletromagnética).

A principal câmera da sonda é a LORRI (Long Rance Reconnaissance Imager). Trata-se de uma câmera telescópica, especializada em tirar fotos de altíssima resolução de objetos muito distantes. Por meio dela, os cientistas poderão visualizar as estruturas geológicas de Plutão.

O objetivo de entender como as particulas que chegam do Sol interagem com a atmosfera de Plutão ficará a cargo do SWAP (Solar Wind Around Pluto). Ele é um espectrômetro de plasma e “ventos solares” (nome dado às partículas que saem do sol), e mede a taxa com a qual partículas da atmosfera do planeta escapam dele.

O PEPSSI (Pluto Energietic Particle Spectrometer Science Investigation) também ajuda a mapear a atmosfera de Plutão, pois mede a densidade e a composição dos íons que escapam de lá.

E, finalmente, o SDC (Student Dust Counter) mderiá a quantidade de poeira espacial que chega até a New Horizons durante sua viagem. Como o nome indica, ele foi criado e operado por uma equipe de 20 estudantes universitários.

Futuro

A fase de exploração de Plutão da missão da New Horizons deve durar até o final desse ano. Em seguida, ela continuará a voar para longe do Sol, e entre os anos 2016 e 2020, deve passar perto de outros objetos do Cinturão de Kuiper.

Infelizmente, essa é uma viagem só de ida para a New Horizon. Ela continuará voando na mesma direção, indefinidamente. Após passar por Plutão, ela começará a colher dados sobre a Heliosfera, uma região além da órbita de Plutão aonde o vento solar ainda chega, criando uma bolha contra a pressão externa do meio interestrelar.

O restante da vida útil da New Horizons será dedicado a colher informações sobre essa região. Espera-se que a missão se encerre por volta de 2026. Nesse período, a colheita de informações deverá ser intermitente, para que a energia possa ser dividida entre os instrumentos. 

Caso ainda esteja funcionando, em 2038 a New Horizon deverá estar a quase quinze bilhões de quilômetros do sol, e poderá explorar a parte externa da Heliosfera. Mas por mais longe que ela vá, ela sempre será lembrada como a primeira sonda a fazer imagens de Plutão.

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