Porto Digital: conheça o pólo tecnológico da região Nordeste

Zona portuária do Recife abriga empresas de tecnologia há 12 anos, e participantes são detentores de vários prêmios em nível mundial

É certo chamar uma iniciativa que une o governo, a iniciativa privada e o setor acadêmico, que é vencedora do Prêmio em Excelência de Inovação em Gestão Pública e concorrente do prêmio Greenbest 2012, de "popular"? A resposta mais razoável seria "sim". Entretanto, há casos em que, independentemente de todas as congratulações recebidas, projetos continuam desconhecidos para além de suas fronteiras.

Este é o caso do Porto Digital, um projeto que já existe há 12 anos, que não só é o objeto de todas as menções acima, como também promoveu uma revitalização completa na zona portuária do Recife, capital pernambucana - antes, uma área mal aproveitada, semi-abandonada. A equipe do Olhar Digital teve a oportunidade de conversar com Joana Sampaio, coordenadora do projeto, para que ela nos falasse um pouco mais sobre o que é e como foi concebido o Porto Digital.

"Desde sua criação, em julho de 2000, o Porto Digital tem investimento do Governo do Estado de Pernambuco, além de um montante vindo de empresas privadas do setor de TI e também de universidades locais. Foram aproximadamente R$ 90 milhões investidos na reforma da zona portuária da capital e na criação do que hoje se conhece como o parque tecnológico 'Porto Digital'", explica Sampaio. "Hoje, o porto abriga centenas de empresas do ramo tecnológico, usufruindo dos recursos criados a partir da revitalização dos 40 mil m² do local".

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Qualquer projeto criado dentro do Porto tem auxílio em logística, distribuição de recursos e ajuda financeira. Por causa disso, o Porto Digital já perdura por mais de uma década gerando cerca de 6 mil empregos em quatro centros de pesquisa de tecnologia, quatro multinacionais, além das startups que também estão sediadas ou possuem escritórios no parque.

Para capacitar a zona portuária para essa finalidade, Sampaio conta que foram necessárias revisões na estrutura primária: os idealizadores do projeto mexeram em cabeamento, fiação elétrica e outros fatores básicos, atualizando tudo para padrões mais modernos. Depois, foi necessária a instalação de fibras ópticas (8 quilômetros em 100 hectares) e a implantação de 26 quilômetros de dutos de ventilação e saneamento.

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Na maior parte, as empresas que estão instaladas no parque são voltadas para o desenvolvimento de software para gestão empresarial, soluções para o mercado financeiro e para a área de saúde, mas também há startups que desenvolvem games, sites e intranets empresariais e ainda controle de trânsito e mecanismos de segurança patrimonial. Grandes empresas como Microsoft, IBM, Samsung e Motorola possuem bases instaladas no parque, sendo que a Motorola mantém o único centro de verificação e integração de teste de software para celulares da marca no mundo - um investimento de US$ 20 milhões da fabricante estadunidense.

De acordo com um estudo feito em 2010, o Porto Digital fatura quase R$ 900 milhões por ano, engloba quase 500 empreendedores em seu parque e paga salários acima de R$ 2,5 mil. A maior parte de sua mão de obra possui ensino superior e pelo menos um segundo idioma. Atualmente, o Porto Digital se caracteriza por oferecer alta taxa de empregos ao público jovem: 35% dos trabalhadores de lá têm entre 17 e 25 anos.

No parque, a maior parte das companhias atua na oferta de serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) - são 147 empresas neste setor, das pouco mais de 200 que têm base no pólo. Vale ressaltar: 89% das empresas no Porto Digital são matrizes.

Marilia Souto Maior de Lima, co-fundadora e CEO da Silicon Reef, diz que o Porto Digital foi bastante importante para o desenvolvimento da sua empresa. A startup dela atua no segmento de projetos de hardware. Especificamente, na captura de energias naturais, como a solar, e no emprego dela em circuitos eletrônicos integrados: "Nós começamos na universidade, dentro de um grupo de pesquisa. Depois de alguns anos, entramos para o C.E.S.A.R, uma incubadora de empresas dentro do Porto Digital, o que nos auxiliou na hora de estabelecer um negócio próprio". Ela diz que o Porto Digital ofereceu suporte em todas as áreas: capacitação profissional, seleção e montagem de infraestrutura e até ajudou na abertura de um escritório em São Paulo.

"Embora nosso segmento seja muito específico, o que, na maior parte dos casos, nos isole de parcerias ou trabalhos em conjunto, é inegável que o Porto nos ajudou muito no estabelecimento da Silicon Reef", diz.

João Paulo Oliveira, sócio-fundador da Proativa Soluções, concorda com ela. O empresário atua fora do Porto, mas trabalha continuamente com as empresas instaladas no parque tecnológico de Recife. "[O Porto Digital] tem uma cultura empreendedora. Lá, respira-se tecnologia de todo tipo, além de existir uma ênfase em fomento, auxílio ao pequeno empresário. Definitivamente, é um dos corações tecnológicos do Brasil".

Seria o Porto Digital a versão brasileira do Vale do Silício, na Califórnia? Rindo, Joana Sampaio, coordenadora do projeto, diz que não é para tanto, mas "estamos só começando". E você? Acha justa essa comparação? Já conhecia o Porto Digital?

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