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Análise: AMD, ARM, IBM e Intel acirram disputa por chips

Stephanie Kohn, editado por Marcelo Gripa 07/08/2013 16h20
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Entenda as cartadas das gigantes pelo futuro dos processadores

O mercado de processadores vive uma "guerra" em que empresas tentam, de todas as formas, abocanhar umas às outras. No mundo da mobilidade, ARM e Intel se enfrentam e a britânica supera (e muito) a norte-americana. Já no setor de servidores e computadores pessoais, a Intel lidera com folga: a AMD tem atualmente uma tímida participação de mercado, e vários problemas com lucratividade. E a IBM atua apenas no segmento de servidores com uma fatia de mercado bastante reduzida.

Mas, há lances novos nas batalhas. Nesta semana, a ‘Big Blue’ anunciou que passará a licenciar sua tecnologia IBM Power – adotando um modelo similar ao da ARM. Isso significa que qualquer companhia poderá inovar em cima da arquitetura IBM Power. No mercado de servidores, a tecnologia x86 da Intel (a mesma usada na maior parte dos PCs) tem 98% de participação e os 2% restantes são divididos entre outras plataformas.

A Intel e o desafio da mobilidade

No quintal da líder de mercado, a Intel, o cenário anda meio nebuloso. Ela controla amplamente o segmento de PCs, que vem encolhendo, e também nada de braçada no segmento de servidores – de onde colhe seus maiores lucros.

A nova iniciativa da IBM quer mexer justamente no setor de servidores, mas trata-se de um desafio gigantesco. Assim como a ARM, a companhia ganhará royalties com as licenças e, consequentemente, mais adeptos de sua tecnologia. No entanto, é difícil dizer se a Big Blue conseguirá incomodar a supremacia da Intel.  

Apesar do domínio em alguns setores, a Intel vive uma encruzilhada. A norte-americana tem participação inexpressiva no segmento de processadores que mais cresce: os chips voltados para tablets e smartphones. Aqui, quem dá as cartas é a ARM. O problema é que as margens de lucros dos processadores para dispositivos móveis é infinitamente menor que as margens com as quais a Intel se acostumou no mercado de PCs e, especialmente, de servidores.

Ou seja, investir em processadores para dispositivos móveis significa direcionar sua impressionante (e cara) infra-estrutura de produção para chips cujas margens de lucro são pequenas. Começa aí um dilema: o mercado de maior crescimento é o de menor lucro. Isso explica em boa parte a postura hesitante da empresa quando o assunto é mobilidade.

Inimigos por todos os lados

As dores de cabeça da Intel prometem ser ainda maiores. Além da tentativa da IBM de ganhar algum espaço no segmento dos servidores, a ARM esboça iniciativas no campo dos PCs.

Já estão surgindo, aos poucos, notebooks que rodam chips com arquitetura ARM. O risco para a Intel só não é maior no momento porque o Windows RT (que roda chips ARM) é um quase um fracasso.

Os alvos são claros: IBM (e também a AMD, que afinal de contas a companhia não está morta) querem ganhar nacos do mercado de servidores. A Intel, por sua vez, precisa conquistar o mundo mobile, onde a arquitetura ARM está presente em 90% dos smartphones e tablets. E, por fim, a britânica pensa em conquistar os PCs, outro feudo histórico da Intel.

A IBM pode obter sucesso ao ter como aliada nada menos que o Google. Apesar de a gigante de buscas não ter informado quanto de sua infra-estrutura será migrada da tecnologia x86 para a Power, o nome da companhia faz com que a iniciativa ganhe peso.

Já a AMD aderiu à arquitetura ARM em uma estratégia em que os chips de baixo consumo desenham um novo cenário. E, no caso da Intel, ainda há um inimigo não declarado: a Qualcomm, empresa que produz chips baseados na arquitetura ARM e atualmente é a que tem a maior participação entre tablets e smartphones.

Mais que isso, o próprio modelo organizacional da Qualcomm assusta a Intel: trata-se de uma empresa relativamente pequena (quando comparada à própria Intel), muito mais ágil e focada em resultados. Algo que faz os veteranos da norte-americana lembrarem-se de sua própria empresa algumas décadas atrás.

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