Arquivos na nuvem: será que a internet brasileira dá conta?

Artigo escrito por Paulo Azambuja, diretor-executivo da F2b

Uma tendência mundial e já muito comentada no Olhar Digital é o fim iminente do slot para a ampliação da memória em computadores e celulares porque todos os dados vão para a nuvem. Essa tendência pode ser observada em muitos movimentos da indústria. Um deles e talvez o mais recente é o Google Fotos, aplicativo que tem como premissa armazenar toda a sua memória virtual.

A estratégia é seguida por outros players globais como a Microsoft, Amazon e Dropbox. Mas cabe aqui fazer o contraponto: será que o país tem feito investimentos do setor de tecnologia e informação na melhoria de redes de dados? Parece­me que isto no Brasil sempre chega com certa lentidão – literalmente.

Para começar, vamos falar das soluções disponíveis para armazenamento na nuvem. Todas as empresas líderes buscam formas de tornar o upload de dados cada vez mais fácil e transparente. O já citado Google Fotos torna essa tarefa extremamente simples, separando as imagens por lugares, álbuns e pessoas, criando um serviço que organiza as fotos de maneira didática e enfatiza os momentos em que elas foram criadas.

Na esteia deste sucesso, a Amazon oferece nos Estados Unidos um serviço ilimitado para armazenamento: não somente fotos, mas também dados, vídeos, músicas e documentos. Este produto custa em torno de US$ 60 ao ano. É uma estratégia interessante. Google e Microsoft também oferecem estes serviços de armazenamento ilimitados, mas somente para o mercado corporativo. Confira mais sobre este assunto no TechCrunch.

Para comparar as informações da notícia anterior, o Google Drive custa em torno de 10 dólares por 1 terabytes de espaço, valor igual ao do Dropbox. Aqui no Brasil, a Microsoft oferece planos de 1 terabyte para assinantes do serviço Office 365, ao custo de 21 reais por mês. Nessa corrida, pode­-se citar ainda o Mega, que oferta robustos 50 gigas de graça; e 4 teras por 8,4 euros. Por fim, a Apple está na briga com o iCloud, que cobra 20 dólares por 1 terabytes.

Agora voltamos ao questionamento anterior. Será que a infraestrutura do país está preparada para essa necessidade cada vez maior de banda e velocidade por parte dos usuários? Olhando atentamente as reportagens do Olhar Digital, a resposta é não.

O site mostra que a média mensal da velocidade da internet no Brasil em julho deste ano foi de 2,6 Mbps – na Coreia do Sul esses números são dez vezes mais. Ficamos atrás de nossos vizinhos como a Argentina, Uruguai e Chile, em certos casos, até de Paraguai e Venezuela.

O Olhar Digital também crava, neste vídeo, que o acesso a web no Brasil é lento em conexões fixas e móveis. Entre os motivos está a falta de investimento na malha de fibra óptica; o fato do Brasil ser uma nação continental, com grandes diferenças entre as regiões; a alta taxação de impostos para equipamentos de rede, normalmente importados; e talvez o principal problema, a falta de concorrência, o que diminui a nossa performance.

Não quero ser afirmativo, já que a minha pergunta ainda fica em busca de uma resposta neste artigo. Cabe a todos nós procuramos as soluções mais adequadas para uso da vida digital com comodidade e velocidade. Como afirmou o ‘teórico de internet’ Lawrence Lessig ao Estadão: a presença online se tornou condição básica para exercício da cidadania e é por isso que governos, em parceria com a iniciativa privada, precisam tomar a frente e garantir que todos tenham acesso de maneira universal.

*As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade exclusiva de seus autores

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