Baidu se defende de má fama: "As pessoas dão 'avançar' sem ler"

Baidu quer desfazer imagem ruim aos poucos e diz que usuários não são forçados a instalar seus produtos

O Baidu apresentou nessa terça-feira, 9, seu novo escritório em São Paulo. Apesar de operar no país desde 2012 e ter lançado seus primeiros produtos aqui no ano passado, a novidade é que a empresa chinesa passa a reunir os funcionários em um mesmo local.

Yan Di, diretor geral de operações do Baidu no Brasil, declarou que o país foi escolhido por causa do potencial do mercado e da falta de concorrência. "Estava na hora de existir uma segunda opção qualificada. Aqui no Brasil, muitos recursos estão concentrados na mão de único player. Isto não traz nenhum benefício para o mercado", observou.

Questionado pelo Olhar Digital sobre a fama do Baidu de instalar programas sem o consentimento do usuário, Yan Di foi incisivo: afirmou que a empresa não força ninguém a baixar nada. "As pessoas dão 'avançar', 'avançar' e 'avançar' sem ler, mas o Baidu sempre oferece a opção de não instalar o serviço", falou.

Segundo o executivo, a imagem negativa surgiu "de repente" na internet brasileira e deve ser combatida de forma gradual. "Não queremos 'limpar' essa ideia. É um processo natural de adequação e conhecimento do nosso serviço. Baixar um produto Baidu não é uma coisa forçada ou obrigatória, é uma prática de opt-in. Nós deixamos uma opção para o usuário escolher".

Buscador e publicidade

Em julho, o buscador do Baidu chegou ao Brasil pelo domínio br.baidu.com. Yan Di revelou que em seis meses de funcionamento no país (outros serviços como PC Faster e Baidu Antivírus já estavam no Brasil desde dezembro), o Baidu atingiu 50 milhões de usuários.

Para o executivo, a diferença entre Google e Baidu está no foco. "O Google faz a conexão entre o usuário e a informação. Nosso grande diferencial é conectar usuários com serviços. Na era do mobile, você não busca só mais a informação. Com a informação na mão, você quer utilizar um serviço através dessa informação".

O diretor também cutucou o Google em relação ao custo por cliques (CPC). "O custo por cliques no Brasil é um dos mais inflacionados do mundo. Anunciantes pagam muito caro ganhando pouco retorno. Esse cenário só vai mudar com introdução de mais competitividade".

Em uma rápida demonstração do buscador na apresentação, Yan Di destacou parcerias com marcas e artistas para exibir vídeos, campanhas e outros conteúdos na página de resultados da busca. No entanto, explicou que, por enquanto, a versão brasileira do buscador não trabalha com links patrocinados e somente parcerias. "Isso deve ser implementado muito em breve", disse.

Estratégia

Yan Di contou que a companhia promete uma grande aquisição para os próximos meses. "Estamos negociando, neste momento, um grande projeto de aquisição de um grande player de internet aqui no Brasil". Di, porém, não deu mais detalhes sobre a empresa que está em negociação.

Já em relação ao centro de pesquisa e desenvolvimento planejado em parceria com o governo brasileiro, o executivo limitou-se a dizer que em breve a companhia deve anunciar onde ele será instalado. "Estamos analisando uma série de fatores. Os estados, incentivos fiscais e a reserva de talentos. Em breve, tomaremos uma decisão sobre com quem devemos trabalhar".

ReproduçãoYan Di, diretor de operações do Baidu no Brasil (Stephanie Hering/Olhar Digital)

A previsão é que o Baidu construa um centro de pesquisa e desenvolvimento focado em tecnologias de internet e para formar profissionais dentro de três anos. A empresa já possui locais semelhantes em Shenzhen, Pequim, Xangai, Tóquio, Vale do Silício e Cingapura.

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