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Larry Page renuncia ao cargo de CEO da Alphabet, dona do Google

Liliane Nakagawa 03/12/2019 19h12
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Sergey Brin, presidente da companhia, também anunciou que está deixando a cadeira; Sundar Pichai, CEO do Google, assumirá o cargo de CEO da empresa-mãe

Na tarde desta terça-feira (3), os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, anunciaram que estão deixando o controle da empresa-mãe Alphabet para o atual CEO do Google, Sundar Pichai


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Apesar do comunicado à imprensa, os dois permanecerão empregados da Alphabet e manterão os assentos no conselho, porém não mais supervisionarão o império de trilhões de dólares da empresa que criaram enquanto estavam na Universidade de Stanford, há mais de 20 anos.

"Com a Alphabet agora bem estabelecida e o Google e as outras apostas operando efetivamente como empresas independentes, é o momento natural de simplificar nossa estrutura de gerenciamento. Nunca fomos os que mantiveram as funções de gerenciamento quando pensamos que há uma maneira melhor de administrar a empresa. E o Alphabet e o Google não precisam mais de dois CEOs e um presidente. No futuro, Sundar será o CEO do Google e da Alphabet”, escreveu Page e Brin.

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Sundar deve ser o executivo responsável por liderar o Google e gerenciar o investimento da empresa-mãe no portfólio de outras apostas. Segundo o ex-CEO e ex-presidente, que disseram estar profundamente comprometidos com o Google e a Alphabet a longo prazo, também permenecerão ativamente envolvidos como membros do Conselho, acionistas e cofundadores, além de conversar regularmente com Sundar, especialmente sobre tópicos pelos quais Page e Brin são apaixonados.

A notícia, que soa chocante para o futuro da gigante das buscas, não surpreende aqueles que acompanham a carreira da dupla de profissionais desde 2015. Eles raramente fizeram aparições públicas, falaram em chamadas de investidores ou mostraram seus rostos em lançamentos de produtos ou a conferência anual de desenvolvedores de E/S da empresa.

Após tornar pública a notícia, as ações da empresa subiram cerca de meio por cento depois de algumas horas.

Criação da Alphabet 

A empresa, que hoje é conhecida como proprietária da gigante das buscas, teve seu nascimento controverso, quatro anos atrás. A Alphabet, no ano de 2015, marcava uma nova estrutura corporativa sem precedentes para o Vale do Silício, em uma época que gigantes da tecnologia estavam acumulando grande poder e consolidando indústrias.

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Além da criação da Alphabet dar a Page e Brin carta branca para sair dos holofotes e deixar Pichai tomar as rédeas, a empresa foi projetada para dividir o Google em seu negócio principal, incluindo os mecanismos de pesquisa e outros produtos massivos, além dos braços diversos, como o laboratório X (anteriormente chamada de Moonshot Google X) e agora a auto-unidade motriz Waymo.

Desafios para a nova liderança 

Pichai teve papel importante no crescimento da marca Google, supervisionando o lançamento da linha Pixel e outros esforços de hardware da empresa, além dos investimentos em inteligência artificial e computação em nuvem. Desde a criação da Alphabet, o preço das ações da empresa mais do que dobrou, assim como a receita. O primeiro relatório trimestral de ganhos da Alphabet registrou vendas de US$ 18,7 bilhões, enquanto o mais recente apontou US$ 36,6 bilhões. 

A entrega do título de CEO de Page e Brin ao indiano ocorreu em um momento de crescente escrutínio da Big Tech, e tanto o Google quanto o YouTube enfrentam uma série de controvérsias desde que os cofundadores da empresa recuaram. Os últimos quatro anos foram ocupados por muita tensão na gigante de buscas pois houve uma coalizão ativista de um grupo de funcionários de dentro da empresa para lutar por mudanças. 

Em detrimento do cenário catastrófico, Pichai se tornou o rosto dos esforços do Google para enfrentar a crise, incluindo incidentes de alto nível, como o envolvimento da empresa em um projeto de drones do Departamento de Defesa e os planos de lançar um produto de pesquisa para o mercado chinês. O executivo e a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, também tiveram que responder pelo conjunto de polêmicas envolvendo a plataforma de vídeo, que inclui conteúdo de exploração infantil e radicalização presentes no serviço. 

Os possíveis pontos a serem tratados pela nova liderança do Google devem ser o histórico da empresa com assédio sexual e o ativismo trabalhista. Após a divulgação das notícias de que Page e Brin supervisionaram a aprovação de um pacote de US$ 90 milhões para o cofundador do Android, Andy Rubin, acusado de má conduta sexual, os funcionários se rebelaram e organizaram protestos internos.

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Desde então, o comando da empresa é acusado de retaliar a rebelião ocasionada, além de tomar outras atitudes em relação às ações do protesto. Agora, a companhia enfrenta um processo por conta de demissões de funcionários envolvidos nas reclamações. Até o momento, não ficou claro o quanto a dupla estará envolvida nos processos judiciais e nas medidas que serão tomadas. 

"Estamos profundamente humilhados por ver um pequeno projeto de pesquisa se transformar em uma fonte de conhecimento e empoderamento para bilhões - uma aposta que fizemos como dois estudantes de Stanford que levou a uma infinidade de outras apostas em tecnologia", escreveu a dupla em tom de despedida. "Não poderíamos imaginar que, em 1998, quando transferimos nossos servidores de um dormitório para uma garagem, a jornada se seguiria".

 Via: The Verge


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