Maior grupo de mídia da Nova Zelândia sairá do Facebook como 'teste'

Além de aderir ao boicote internacional à rede social, o Stuff deixará de publicar suas notícias na plataforma e no Instagram

Renato Mota 06/07/2020 15h07
Stuff
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O Stuff, maior grupo de comunicação da Nova Zelândia, anunciou que se juntará ao movimento global de boicote contra o Facebook, acusado pelas marcas de não lidar com discursos de ódio e conteúdos nocivos postados por usuários da plataforma. Mas a medida do Stuff tem uma natureza diferente: também fará parte de um "experimento" da empresa.


Em um e-mail interno enviado nesta segunda-feira (6), a vice-editora do Stuff, Janine Fenwick, avisou que a companhia estava "testando a cessação de todas as atividades nas redes de propriedade do Facebook" como parte do boicote global. "A partir de hoje, todos os nossos fluxos de redes sociais serão pausados ​​e nossos grupos arquivados. Vamos parar de postar no Instagram", dizia o comunicado.

Com dezenas de jornais em todo país e o portal mais acessado da Nova Zelândia, o Stuff emprega mais de 400 jornalistas, que deverão parar de postar as últimas notícias e reportagens nas plataformas controladas pelo Facebook. Fenwick disse no e-mail que a medida é uma "experiência", e que os resultados serão "monitorados de perto".

Funcionários entrevistados pelo Guardian disseram que a mudança na empresa foi recebida de forma positiva. "Paramos de anunciar no Facebook logo após os ataques à mesquita de Christchurch, pois não queríamos contribuir financeiramente para uma plataforma que lucra com a publicação de discursos de ódio e violência", Fenwick escreveu.

O editor-chefe do Stuff, Patrick Crewdson, afirmou que "quer ter certeza de que estamos operando em ambientes que promovem a confiança do público, em vez de destruí-la. Nosso foco é no crescimento da confiança do público como nossa principal medida de sucesso. Todos nós já vimos exemplos de males sociais no Facebook que não são compatíveis com confiança - por exemplo, a divulgação de notícias falsas e discursos de ódio", disse Crewdson.

"Estamos fazendo isso como um teste para encontrar o equilíbrio certo entre alcançar os neozelandeses com as notícias de que precisam e garantir que os cidadãos tenham confiança na veracidade do que veem", completou o editor-chefe.

O grupo de comunicação neozelandês aproveitou a recente onda de boicotes, mas a medida não é nova. Ainda em 2018, aqui mesmo no Brasil, a Folha de São Paulo parou de publicar seu conteúdo no Facebook, após uma decisão da rede social de mudar seu algoritmo para privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos distribuídos por empresas.

"As desvantagens em utilizar o Facebook como um caminho para essa distribuição ficaram mais evidentes após a decisão da rede social de diminuir a visibilidade do jornalismo profissional nas páginas de seus usuários. Isso reforça a tendência do usuário a consumir cada vez mais conteúdo com o qual tem afinidade, favorecendo a criação de bolhas de opiniões e convicções, e a propagação das fake news", comunicou o grupo brasileiro na época.

Agora, pelo menos 500 outras empresas, incluindo Coca-Cola, Unilever, Verizon, Starbucks, Target, Ford, Honda e Levi Strauss retiraram seus anúncios da plataforma. De acordo com o site The Information, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, vê o boicote como uma questão de relações públicas e não como uma ameaça séria, e não está planejando uma resposta importante.

"Não mudaremos nossas políticas ou abordaremos nada por causa de uma ameaça a uma pequena porcentagem de nossa receita ou a qualquer porcentagem de nossa receita", afirmou o executivo, completando: "meu palpite é que todos esses anunciantes voltarão à plataforma em breve".

Via: The Guardian/The Stuff

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