Onde foram parar os smartphones com teclado físico?

Desde o surgimento do primeiro smartphone - o IBM Simon, de 1992, chamado na época de “comunicador pessoal” - a indústria passa por constantes transformações. Novos modelos, seguindo novas tendências de design, aparecem no mercado a todo momento. Algumas características desaparecem sem deixar saudade, enquanto outras parecem caem no esquecimento sem um bom motivo.

Muitos usuários guardam boas lembranças dos smartphones com teclado físico, que se popularizaram no início dos anos 2000. Mais do que os 12 dígitos de um telefone portátil, aparelhos como o HP iPAQ, lançado em 2005, vinham com um teclado QWERTY completo, além de rodar Windows Mobile e trazer consigo uma caneta stylus para o melhor do touchscreen resistivo da época.

Um teclado físico QWERTY - que tem esse nome por conta das posições das teclas na primeira fileira - traz muito mais precisão e conforto à experiência com o celular. A sensibilidade de uma tela touchscreen pode, muitas vezes, ocasionar erros de digitação que não ocorreriam se o usuário pudesse, simplesmente, sentir cada tecla correspondente ao caractere desejado.

No entanto, se dermos uma olhada no mercado hoje, especialmente no Brasil, é muito difícil encontrar smartphones modernos, com boa configuração e sistema operacional atualizado, que ainda possuem suporte ao teclado físico.

Uma das poucas marcas que ainda investem no modelo é a Blackberry. Seu smartphone com teclado físico mais moderno é o Passport, lançado em 2014, que possui 3GB de RAM, processador Qualcomm Snapdragon 801 (quad-core com 2,2 GHz) e 32GB de armazenamento interno. O aparelho não roda Android, iOS ou Windows Phone, mas sim um sistema operacional exclusivo da Blackberry.

O design do celular também vem na contramão das tendências do mercado. O hardware de bom nível é compressado sob uma tela de 4,7 polegadas - enquanto concorrentes beiram as 6 polegadas em seus “phablets”. Como se o teclado físico não fosse suficiente, os quase 10 milímetros de espessura também trazem à memórias os antigos “palm tops” do início da década passada.

Outras marcas que ainda apostam em designs considerados retrô pelo consumidor mais antenado incluem a ZTE e a Alcatel - ambas partilhando uma fatia quase irrelevante do mercado. Fabricantes de mais peso, como Samsung e LG, chegaram a ensaiar um retorno ao teclado físico em modelos especiais com pouca vendagem, mas nada além de edições limitadas e para países restritos.

Mesmo sendo mais prático e eficiente, por que, afinal, o teclado físico foi abandonado pelas fabricantes? A culpa pode ser da Apple. Quando o iPhone original chegou ao mercado em 2007, trazendo a proposta de um smartphone amigável para o consumidor comum, sua interface totalmente touchscreen, quase sem botões físicos (com exceção do “Home”) causou um grande impacto na indústria.

O sucesso comercial do iPhone fez com que as marcas passassem a associar o design touchscreen a um conceito “futurista” de modernidade. Desse modo, o teclado físico passou a ser lembrado cada vez mais como uma característica de telefones ultrapassados, de uma era pré-iPhone, ou de modelos mais populares do que os tops de linha. Pouco a pouco, o QWERTY foi sendo abandonado tanto pelas empresas quanto pelo público.

Contudo, fãs do teclado físico ainda podem contar com algumas ofertas alternativas. A Samsung lançou em agosto um case para celular que adiciona os práticos botões ao seu Galaxy S6 Edge+. Mais recentemente, uma empresa chamada Typo fez algo parecido, com uma capa customizável com suporte para diversos modelos de smartphone (acabou sendo processada pela Blackberry por violação de patente).

Rumores apontam que a própria Blackberry está desenvolvendo um novo smartphone com teclado físico, mas, dessa vez, com um sistema operacional Android customizado. O Venice, se de fato for lançado, pode significar um retorno da empresa à disputa pelo mercado consumidor e, quem sabe, um “renascimento” do QWERTY. Por enquanto, resta ao público esperar pelas próximas revoluções da indústria e tendências de design. Já imaginou se o modelo flip voltasse a fazer sucesso?

* Sugestão de pauta do leitor Kevin Ahrens

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