Os dilemas da TV digital no Brasil

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Será que as pequenas emissoras vão conseguir se digitalizar?

Recentemente, o governo adiou o desligamento total da TV analógica no Brasil. O prazo que antes era junho de 2016, foi estendido para dezembro de 2018. Até aí, sem surpresas; o governo já havia dito que faria esse adiamento. O processo de desligamento do sinal analógico será gradual, com início já marcado para janeiro de 2015 – começando pelos grandes centros urbanos.

O assunto é delicado; principalmente sob duas perspectivas. A primeira é que o cidadão comum brasileiro não pode ser forçado a comprar um conversor ou uma TV digital. Ainda que conversores mais baratos sejam encontrados por menos de 80 reais, o valor ainda é alto para um país como o nosso. Segundo o Censo Demográfico 2010, metade da população tem renda per capita de até 375 reais.

"Se você pega as principais capitais do Brasil, a penetração da TV digital foi muito acelerada. Mas a gente sabe que o Brasil é muito assimétrico na sua distribuição de riqueza e renda. Então é complicado pressupor que o avanço da TV digital ocorra em cidades menores ou no interior do país", afirma Marcelo Zuffo, prof. / Escola Politécnica da USP.

Sendo assim, o governo resolveu voltar atrás e ponderou o prazo, dando mais tempo de adaptação à população. Mas o desligamento do sinal analógico também é um desafio grande para emissoras e retransmissoras de televisão em todo o país. Tudo bem, para as grandes é fácil – o alto investimento é facilmente absorvido pela grande audiência e expectativa clara de retorno. Já para as emissoras menores, principalmente no interior do Norte e Nordeste, a transição é bem difícil de ser feita.

"O investimento numa infraestrutura de transmissão digital é caro frente à audiência esperada. Estas emissoras não têm uma receita compatível com a receita de publicidade de grandes capitais. Este fenômeno está ocorrendo, mas não na velocidade desejada. E sobre hipótese nenhuma você pode tirar o direito do cidadão de ter acesso à informação", completa.

Com quase 16 anos de existência, a TV Educativa de Jundiaí, está em pleno processo de transição do analógico para o digital. A captação e a edição já são digitais, mas agora eles finalizam a troca de equipamentos para passar a fazer definitivamente a distribuição do sinal digital em alta definição.

"Os desafios são os investimentos financeiros iniciais - que têm de ser feitos uma hora ou outra. E é trabalhoso porque a gente tem de mudar a lógica conceitual da emissora, desde a captação e edição em fita. Mas a gente tem de encarar como um fator positivo para a TV", conta Thiago Godinho, superintendente / TVE Jundiaí.

Aqui eles resolveram antecipar o prazo definido pelo governo e esperam estar operando de forma totalmente digital até o final do ano. A diferença é que por se tratar de um canal fechado, a transmissão digital vai ser feita até a operadora a cabo, para dali, ser distribuída – por enquanto – tanto em digital quanto em analógico.

"O telespectador não vai ser afetado neste processo, até porque a operadora vai fazer a transição".

Dinheiro e telespectadores à parte, o outro lado dessa história – e que também interessa muita gente – é que a TV analógica ocupa uma faixa de frequência de transmissão extremamente cobiçada não só pelo mercado televisivo como também pelas telecomunicações, principalmente para operar o sinal 4G. Mas o Brasil ainda não definiu claramente sua política em torno do espectro dos 700 megahertz. A discussão é forte; mediada pelo governo e pelo ministério das Comunicações. Mas, por enquanto, 4G no Brasil, apenas na faixa dos 2,5 gigahertz...

Ou seja, conforme já comentamos e explicamos aqui, os tablets e smartphones adquiridos fora do Brasil não vão mesmo funcionar no 4G brasileiro; pelo menos não até 2015, quando se dará início ao processo de desligamento do sinal analógico. O mesmo vale para o estrangeiros que eventualmente estiverem por aqui até lá; inclusive durante a Copa do mundo do ano que vem...

"Alguns usuários vão ficar frustrados porque vão comprar tablets e smartphones no exterior porque eles não vão funcionar num primeiro momento no Brasil. A eletrônica daquele tablet não está preparada para a faixa espectral de um país ou de outro. Isso vai demorar uns cinco anos para a tecnologia estabilizar e resolver estas questões", diz Zuffo.

Agora, veja que curioso: nos Estados Unidos, o desligamento total da TV analógica se deu em 2009; ou seja, completará nove anos quando – se tudo der certo – o sinal também for extinto no Brasil, em 2018. Coincidência ou não, na terra do Tio Sam, a TV surgiu em 1941...enquanto a primeira transmissão por aqui só ocorreu...sim, nove anos depois, em 1950. Resumindo, não estamos tãooo atrasados assim, mas quando o assunto é TV, parece que o país também não evoluiu muito nessas últimas décadas.

Se você quiser entender mais sobre a relação entre o 4G e a TV analógica, acesse olhardigital.com.br. Nós separamos o link de uma reportagem que explica em detalhes essa discussão no país e também porque os 700 megahertz são tão concorridos. Aproveite para conferir outra matéria sobre a dificuldade das pequenas emissoras em exibir sinal HD. Acesse, confira e fique por dentro...

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