Saiba como funciona o PRISM, a nova ameaça à privacidade na internet

Programa de vigilância do governo americano foi revelado pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden

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Alternativas para driblar a vigilância na internet

Se você ainda acredita que espionagem é coisa de filme de Hollywood, é hora de acabar com tanta ingenuidade. Afinal, nada garante que sua vida não esteja sendo bisbilhotada neste exato momento. O assunto é pra lá de polêmico e veio à tona recentemente quando o presidente Barack Obama assumiu a espionagem de chamadas telefônicas de cidadãos comuns pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos e também confirmou a existência do “PRISM”, um programa de monitoramento que permite vigiar comunicações digitais de grandes provedores da internet.

A existência do “PRISM” foi revelada por Edward Snowden, um ex-agente da CIA. E assim que os detalhes do programa foram revelados, grandes empresas da internet como Google, Facebook, Microsoft, Apple e Yahoo correram para negar conhecimento das solicitações de cooperação com o governo norte-americano e, consequentemente, abertura de seus servidores. De acordo com o documento publicado pelo jornal britânico “The Guardian”, o rastreamento de conversas, áudios, vídeos, fotografias e e-mails serviu de fonte para mais de mil documentos só no ano passado.

O governo dos Estados Unidos alega que toda espionagem é feita em nome da segurança nacional, principalmente pra prevenção de atos hostis, como o terrorismo. Indo direto ao ponto, podemos afirmar que praticamente tudo o que qualquer pessoa faz na internet pode ser gravado ou controlado em algum lugar do mundo.

"Agora com os serviços de correio e nuvem, suas informações ficam armazenadas em algum lugar do mundo. O primeiro ponto é saber se o lugar onde você está 'morando' e armazenando suas informações é eticamente adequado e se ele abre as portas para quem queira bisbilhotar. Esperamos que isso não seja verdade, que as empresas se comportem eticamente, mas sempre existe a possibilidade de que o hospedeiro ceda à pressão de governos e outras entidades, de forma que os dados acabem sendo expostos", avisa Demi Getschko, presidente do NIC.br

E quem disse que nós brasileiros estamos imunes a esse tipo de controle? Ainda que não haja nada concreto, praticamente toda internet do país também seria passível de controle. Isso porque grande parte da comunicação brasileira na web passa diretamente por grandes “nós de distribuição” nos Estados Unidos; ou seja, também está sujeita a vigilância. A verdade é que boa parte da infraestrutura e serviços da internet de todo o mundo depende de empresas norte-americanas; assim é inevitável que quase toda a rede possa ser espionada.

Nossa conexão à internet – e de todo o mundo – funciona assim: nossos computadores ou qualquer outro dispositivo que se conecte à rede, primeiro se comunicam com nosso provedor de acesso, que por sua vez se conecta a um backbone aqui no país. Do inglês, “backbone” significa “espinha dorsal” e é o termo utilizado para identificar a rede principal pela qual os dados de todos os usuários da internet passam. Os backbones são responsáveis não só por enviar e receber dados entre as cidades brasileiras, mas também para outros países. E é nesses grandes “nós de distribuição” que eles se encontra. Para entender melhor: imagine os backbones grandes estradas com diversas saídas – estas saídas seriam as redes menores. Essas grandes estradas atravessam o continente e se encontram em algumas centrais estrategicamente distribuídas nos Estados Unidos e na Europa. Essas centrais ou “nós” representariam rotatórias, onde a informação definiria então o caminho a ser tomado.

"Quase tudo passa pelos EUA por uma questão de interesse de tráfego. Esta é uma rede montada a partir da tecnologia mais adequada e da economia maior. Os grandes cabos submarinos se encontram lá", lembra Getschko, comparando os backbones a aeroportos, porque é inviável o tráfego de informações sem escalas e o normal é passar por estes grandes centros de computação.

"Se você monitorar o que se passa por estes tubos, por mais que você tente impedir isso com criptografia, por exemplo, suas informações podem ser coletadas por pessoas que estejam nestes lugares importantes de computação, as grandes 'avenidas' da internet. Se você monitorar o que passar por lá, certamente estará o seu tráfego", afirma o presidente do NIC.br

Mas será que existe alguma forma de driblar esse trajeto? Algumas pessoas apostam em navegadores que garantem o anonimato na web, mas a solução é ilusória, explica Demi. Segundo ele, a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos controla diversos desses “hubs” da internet, que é exatamente por onde a comunicação desses navegadores também passa sem qualquer proteção adicional para chegar ao seu destino.

A criptografia, que exige uma chave secreta para que uma informação seja lida, seria uma saída. Mas o uso dessa tecnologia não é nada simples. E mais, o uso da criptografia não interessa as empresas que fornecem serviço de internet, afinal elas próprias têm interesse nas suas informações. Afinal, como você acha que o Google e o Facebook fazem para direcionar anúncios que têm mais a ver com você?

"Tudo que você coloca aberto é passivo de ser monitorado e você não tem do que reclamar. Se você coloca uma foto em um site aberto, se você divulga algo no Twitter, qualquer pessoa pode ver, te seguir, te acompanhar. Este é um monitoramento que você admite, porque são informações públicas", explica Getschko, comparando com uma praça pública. Entretanto, o temor são as informações privadas, como o e-mail, sejam bisbilhotadas. "Até para te atender melhor, suas informações são guardadas. Você pode apagar o e-mail que ele pode não ser removido do servidor", lembra ele, apontando que as empresas normalmente tem backups dos dados.

"No mundo eletrônico, nada se esquece. Nem aquilo que você gostaria que fosse esquecido se esquece", afirma o presidente do NIC.br.

Por aqui, o que a gente espera é que o governo realmente trabalhe em cima de uma legislação específica e através da aprovação do Marco Civil da Internet garanta aos usuários brasileiros uma internet com maior privacidade e neutralidade. Agora sobre o que acontece fora daqui, pouco podemos fazer.

E você, o que acha dessa polêmica história? O assunto é mesmo delicado, mas participe. Deixe sua opinião; será que existe alguma saída ou se quisermos usar a internet teremos que estar sempre sujeitos à espionagem norte-americana ou de quem quer que seja? É complicado!



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