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Em comparação com outras séries de sucesso na TV dos EUA, “Mr. Robot” é demasiadamente curta. A primeira temporada tem apenas 10 episódios, enquanto a segunda termina na próxima semana com 12 no total. Para os fãs, passou rápido. Mas o penúltimo episódio parece ter sido o mais longo de todos.

A série que apresentou ao mundo a cultura hacker da forma mais realista já feita está chegando ao fim de mais uma temporada. O episódio desta semana é cheio de tensão e suspense, preparando o terreno para um final que promete explodir algumas cabeças. Confira nossa análise, cheia de spoilers, logo abaixo, e aproveite para recapitular a temporada até aqui.

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Assim como em toda a série até agora, o título do episódio exibido nesta quinta-feira no Brasil, “eps2.8_h1dden-pr0cess.axx”, carrega um significado duplo, que serve tanto para definir conceitos da tecnologia quanto a temática da história. “Hidden Process”, em português, significa “processo oculto” ou “processo escondido”. Segredos, aliás, são o que não faltam neste capítulo.

Como em um computador que executa tarefas sem o conhecimento do usuário, num plano de fundo acessível apenas ao administrador por um prompt de comando, “Mr. Robot” processa diversas funções longe das vistas do espectador. Alguns desses processos nem mesmo Elliot, o nosso guia pela história, conhece.

O recurso do narrador duvidoso, que mente e distorce a realidade ao nos contar apenas a sua versão dos fatos, é talvez a melhor característica de toda a série. Nós, que exercemos o papel de “amigo imaginário” onisciente na vida do protagonista, sabemos tão pouco sobre o que sua mente planeja quanto ele mesmo.

O episódio desta semana deixa ainda mais clara a mensagem: nós não podemos confiar no que Elliot diz, vê e ouve. Seu alter ego, o Mr. Robot do título, a personalidade oculta do protagonista, sabe coisas que Elliot não sabe. A loucura do personagem transformou sua mente – e, por consequência, sua narração da história – em um labirinto, do qual fica mais difícil sair a cada semana.

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Talvez seja por isso que “eps2.8_h1dden-pr0cess.axx” começa tentando garantir ao espectador que o fim do episódio anterior foi real. De forma sagaz, o capítulo tem início exatamente no mesmo momento em que o antecessor terminou. Só que em vez de termos a perspectiva de Elliot, temos o ponto de vista de Joanna, insegura e assustada, mas sempre mantendo a pose de vilã.

O jogo de cena é muito inteligente e bem coordenado, mas talvez seja um dos poucos momentos de leveza em todo o episódio. A maior parte de “eps2.8_h1dden-pr0cess.axx” se concentra mais em confundir a cabeça do espectador. Afinal, o que é real em “Mr. Robot”? Até que ponto a mente perturbada do protagonista tem nos mostrado a verdade?

Joanna quer saber o que aconteceu com seu marido, Tyrell Wellick, que provavelmente esconde a chave para todo o mistério da temporada. Até aqui, a série tem feito de tudo para manter em segredo o que aconteceu com o ex-executivo da E Corp. Como quando, no segundo episódio, Elliot tem uma conversa com o adversário desaparecido pelo telefone. Em seguida, porém, somos convencidos de que aquela conversa não foi real.

Paralelamente, Joanna recebe um telefone como um presente misteriosos. Do outro lado da linha, o som de uma respiração que pode ou não pertencer a Tyrell. De posse do telefone, Elliot recebe a mesma ligação, coincidentemente ao mesmo tempo em que Mr. Robot, a alucinação do personagem, desaparece sem deixar vestígios. No mínimo, suspeito.

Há quem acredite que Tyrell seja uma terceira personalidade na cabeça de Elliot, o que seria um atestado de preguiça dos produtos da série. Afinal, nada mais redundante do que enganar o espectador duas vezes com o mesmo mistério: “aquele personagem que você conhece não é real, surpresa!”. Esperemos que os roteiristas tenham sido mais criativos no quesito “plot twist”.

Não é difícil imaginar, porém, que o assassinato de Tyrell tenha feito com que Elliot assumisse a personalidade de sua vítima, como uma espécie de transtorno pós-traumático – a mesma explicação para a presença de seu falecido pai em todo lugar. Se Tyrell realmente morreu ou se é mais uma peça no tabuleiro do jogo conduzido por Mr. Robot, só os próximos episódios dirão.

Reprodução

Enquanto a série nos tortura com suas múltiplas visões distorcidas da realidade, uma outra narrativa se encarrega de nos mostrar os fatos mais concretos. Um deles é o de que Dominique está a um passo de capturar os criadores do fsociety e finalizar sua investigação sobre o ataque de 9 de maio.

Com maestria, o episódio desta semana cria uma longa sequência de ações paralelas em que a câmera sempre alterna, entre um corte e outro, para duas situações distintas. De um lado, acompanhamos Elliot em um momento de redenção e de reencontro com Angela. Do outro lado, Dominique e o FBI seguem o rastro de Cisco e Darlene.

É impressionante como esse “pedaço” do episódio se prolonga por intermináveis minutos. Enquanto a trilha sonora sobe o nível do suspense, a lenta passagem do tempo faz com que a trama pareça mais longa do que realmente é. Trata-se de uma montagem muito inteligente, que dá essa sensação de urgência e, ao mesmo tempo, faz o episódio parecer mais curto quando chega ao fim.

Nos minutos finais, um plano sequência claustrofóbico, filmado a partir de um ângulo nada favorável, quase tira nosso ar quando os agentes do Dark Army atacam Dominique, Cisco e Darlene na lanchonete. Quando o espectador menos espera, porém, eis que surge a tela preta dos créditos e o episódio chega ao fim.

Sem pena do espectador, o penúltimo episódio da temporada não poderia terminar numa nota mais alta. Na próxima semana, “Mr. Robot” chega ao seu season finale em um capítulo duplo, com uma hora de duração cada etapa. Resta ao público apenas esperar para saber quais mistérios serão respondidos e quais serão deixados no ar até o retorno da série em 2017.

“Mr. Robot” é exibido no Brasil pelo canal Space, toda quinta-feira, às 23h20.