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Um estudo conduzido pela CanIRank, uma empresa que ajuda sites a obterem boas performances junto ao buscador do Google, revelou que a ferramenta tem preferência por resultados mais liberais. De acordo com o trabalho, 50% das pesquisas por termos políticos trouxeram respostas que vinham de páginas melhor identificadas com a esquerda.

Para chegar a tais conclusões, a CanIRank pediu ajuda a quatro especialistas em política e buscas online (dois liberais e dois conservadores). Em outubro, a empresa realizou pesquisas por 50 termos, incluindo “aborto”, “ISIS”, “hillary clinton illness” (doença de Hillary Clinton) e “donald trump lies” (mentiras de Donald Trump). Os 40 primeiros resultados de cada termo foram passados aos quatro especialistas, que classificaram os links numa escala de um a cinco, sendo um esquerda e cinco direita.

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A CanIRank diz que, embora cada um tenha usado seus próprios critérios, as avaliações concordaram em quase 90% dos links. Assim se descobriu que, das cerca de 2 mil páginas observadas, 31% eram liberais, 22%, conservadoras, e 47%, neutras — isso incluía grandes sites noticiosos e até governamentais. E, embora o conteúdo de esquerda seja mais frequente, os de extrema direita batem os de extrema esquerda — o que, de certa forma, deixa as coisas empatadas.

O Google foi contatado pelo Wall Street Journal e negou qualquer influência política no seu buscador. “Desde o começo, nossa atuação nas buscas tem sido providenciar as respostas e resultados mais relevantes aos nossos usuários, e nós enfraqueceríamos a confiança das pessoas nos nossos resultados, e na nossa companhia, se mudássemos o curso [das coisas]”, disse um porta-voz.

Acadêmicos que estudam o comportamento do Google consultados pelo jornal concordam que dificilmente a empresa tentaria pesar seu buscador em alguma direção. O mais provável, dizem, é que o cenário encontrado pelo estudo reflita a composição da internet — eles teorizam que liberais sejam mais ativos na criação de conteúdo e costumem dar links uns aos outros, o que melhora seu desempenho na ferramenta.

“O Google é basicamente um motor de popularidade no sentido de que, quanto mais links você tem, mais alta é a sua classificação”, explicou ao WSJ Nick Diakopoulos, que é professor de jornalismo na Universidade de Maryland e estuda algoritmos. “Se você tiver um grupo maior na esquerda e mais ligações entre essas páginas, é uma forma de reforço.”

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