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O último sábado poderia ter marcado o fim definitivo da questão sobre o formato da Terra (que, na verdade, já tem uma resposta há séculos). O americano Mike Hughes, um dublê terraplanista de 61 anos, pretendia se lançar em um foguete caseiro para coletar evidências fotográficas e ver com seus próprios olhos que o planeta é plano como uma pizza, mas seu plano teve que ser adiado.

O lançamento foi impedido de acontecer por intervenção do governo americano. Mais especificamente, o BLM (Escritório de Gestão de Terras) se colocou contra o acontecimento, que aconteceria no deserto do Mojave, na cidade de Amboy, na Califórnia, em um território público.

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Hughes disse que havia conseguido permissão verbal para realizar seu lançamento, há um ano, com a aprovação ainda pendente da FAA (Administração Federal de Aviação). No entanto, o BLM diz não ter nenhum registro da solicitação e que ficou sabendo do plano pelo noticiário, informou uma representante ao Washington Post. Já a FAA não se manifestou sobre o caso.

Com o veto ao lançamento em uma área pública, Hughes diz que o plano está mantido e apenas foi adiado em alguns dias. A ideia é mover o lançamento para um terreno privado. “Ainda vai acontecer. Apenas vamos mudar o local em 5 quilômetros. É isso que acontece quando você tenta lidar com qualquer tipo de agência governamental”, ele afirma.

O plano

Hughes precisou de US$ 20 mil para montar seu foguete, mas essa verba não saiu do seu bolso. A missão é patrocinada por um grupo chamado “Research Flat Earth” (“Pesquisar a Terra Plana”). A expectativa é chegar a uma altitude de cerca de 500 metros, atingindo velocidades de aproximadamente 800 km/h no lançamento e retornar ao solo em segurança com o auxílio de paraquedas.

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Em entrevista, ele afirmou que esse será apenas o primeiro passo para um programa mais ambicioso, com novos voos que deverão atingir altitudes acima dos 550 metros iniciais. O plano é usar balões para uma decolagem já em altitude elevada, o que poderia levar o foguete a 110 km do solo.

Hughes se mostra bastante cético em relação ao que cientistas afirmam de forma unânime nos últimos séculos. “Eu não acredito em ciência. Eu entendo sobre aerodinâmica e dinâmica de fluídos e sobre como as coisas se movem pelo ar, sobre bocais de determinados tamanhos para foguete e impulso. Mas isso não é ciência, é apenas uma fórmula. Não há diferença entre ciência e ficção científica”, ele afirma.

Apesar de o projeto parecer insano e um risco iminente de morte, Hughes já fez isso antes e sobreviveu para contar a história. Em 2014, ele realizou uma decolagem que chegou à altitude de 418 metros e apenas precisou passar alguns dias se recuperando dos efeitos da força G sobre seu organismo.