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O primeiro artigo desta série introduziu a computação em nuvem apresentando-a mais superficialmente, visando definir o termo e normalizar os entendimentos. O objetivo agora é de aprofundarmos um pouco mais na discussão buscando auxiliar na seguinte questão: eu realmente preciso da nuvem?

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Características da computação em nuvem

A computação em nuvem oferece recursos computacionais como serviços e de maneira elástica, se adaptando a demanda dos usuários e cobrando de acordo com o uso. Existem basicamente três modelos de oferta desses recursos: software – ou aplicação – como serviço (SaaS – Software as a Service); plataforma como serviço (PaaS – Platform as a Service); e infraestrutura como serviço (IaaS – Infrastructure as a Service). Cada modelo oferece controles e recursos distintos, dependendo das necessidades do usuário. Entendamos, então, um pouco sobre cada um desses modelos: 

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SaaS

O SaaS é amplamente usado pela maioria dos usuários da internet, e não é algo recente. Um bom exemplo desta utilização é o webmail, software on-line pelo qual gerenciamos nosso correio eletrônico. Neste modelo basta termos acesso a internet e a um navegador, não sendo necessária a instalação de qualquer software adicional. Outra vantagem deste modelo é a total transparência quanto ao poder de processamento dos servidores que acessamos ou qual sistema operacional eles executam. É um modelo focado no usuário final.

PaaS

O PaaS também cria uma camada de abstração sobre os servidores e suas necessidades, mas, ao mesmo tempo, não entrega software pronto como o SaaS. O foco da plataforma como serviço é fornecer ferramentas de desenvolvimento e gestão, tendo como principais usuários as equipes de desenvolvimento que, muitas vezes, desempenham um trabalho colaborativo em seus negócios.

IaaS

Por fim temos o IaaS, talvez a grande estrela da computação em nuvem. Por que estrela? Segundo estimativas da Gartner para 2017, o investimento das empresas com infraestrutura na nuvem cresceria cerca de 37%, somando um total de US$ 34,6 bilhões. É para este modelo que uma empresa migra seu data center quando deseja não mais administrá-lo “localmente”. Embora remoto, este modelo agirá de maneira muito semelhante ao seu antigo data center, onde será necessário o devido controle sobre os recursos consumidos, sistemas operacionais instalados, dentre outros pontos. Um gerenciamento ineficiente pode resultar em custos até maiores do que manter a infraestrutura na sua empresa (perdendo uma das grandes vantagens da nuvem que é ter, em geral, custos menores), motivo pelo qual a contratação de um fornecedor confiável é fundamental para o sucesso da adoção.

Nuvem Pública, Privada ou Híbrida

Conhecidos os três principais modelos da computação em nuvem, é importante saber como ela pode ser implantada. Existem, também, três formas de implantação: pública, privada e híbrida.

A nuvem pública é a mais tradicional, onde os recursos computacionais são compartilhados entre os usuários do provedor. Esse compartilhamento de recursos é o que permite os baixos custos característicos do modelo, tornando-a a principal opção das empresas de pequeno e médio porte.

A nuvem privada se distingue da anterior por oferecer recursos dedicados. Você pode ter uma nuvem privada localmente na sua empresa ou contratar de terceiros. Este modelo de implantação costuma ser o preferido de algumas empresas de grande porte e daquelas que não confiam totalmente no modelo público para armazenar suas informações mais sensíveis.

A nuvem híbrida, por sua vez, visa explorar o melhor dos dois mundos. Este modelo tem sido cada vez mais procurado por aqueles que desejam manter custos mais baixos, mas não abrem mão da segurança que o armazenamento privado das informações pode fornecer.

Vantagens e desvantagens da computação em nuvem 

É fácil se convencer de que a computação em nuvem é excepcional, e de fato é! Mas, para qualquer tomada de decisão, é importante conhecer os pontos positivos e negativos, avaliando, assim, os impactos dessa decisão.

O crescimento da computação em nuvem é inegável. Estimativas apontam que os gastos mundiais, especialmente com a contratação de nuvens públicas, totalizarão mais de US$ 203 bilhões até 2020. Comparado a 2015, esse montante representa uma taxa de crescimento de 21,5% ao ano, reflexo principalmente dos custos mais acessíveis.

O impacto comercial da nuvem é tão grande que a discussão extrapolou os setores de TI das empresas, chegando também ao setor financeiro. Já nos últimos anos, companhias que adotaram a computação em nuvem experimentaram melhoras de mais de 20% em seu “tempo de comercialização” (Time to Market), 18% na eficiência dos processos e 15% de redução com gastos em TI. Juntas essas melhorias representaram mais de 19% de crescimento nessas companhias.

Vantagens

Além do fator financeiro, muitas outras vantagens podem ser apontadas na adoção da nuvem. Exemplos são:

  • a alta disponibilidade, pois há garantias de que os serviços permanecerão on-line 99,99% do tempo;
  • rápida implantação e atualização, permitindo que seus sistemas sejam atualizados e disponibilizados em pequenos espaços de tempo;
  • melhor gerenciamento de backup e recuperação de desastres. É comum que as empresas pequenas e médias, diferente das de grande porte, não possuam estratégias deste tipo bem definidas, gerenciadas e executadas, tornando-se reféns de eventos inevitáveis e, até mesmo, de uma possível descontinuidade. A nuvem pode mudar essa realidade, garantindo fácil armazenamento e recuperação dos dados da sua empresa. 

Desvantagens

Do outro lado da moeda temos as desvantagens. Embora com uma lista certamente menos extensa, é importante que as conheçamos. Uma que certamente preocupa grande parte dos contratantes é a segurança, principalmente na nuvem pública. Mesmo sabendo que os provedores implementam as melhores técnicas e dispõem das melhores ferramentas de prevenção de ataques e invasões, há um receio quanto a este quesito.

Empresas acostumadas a terem o controle total sobre seus recursos computacionais podem considerar a nuvem limitada nesse sentido. Grande parte do gerenciamento fica nas mãos dos provedores, o que pode incomodar aqueles mais inflexíveis. Podemos citar, também, a própria internet como um possível problema, na verdade a necessidade dela. Recentemente em 2017, com a passagem do furacão Maria, por exemplo, a empresa que controla um dos cabos submarinos que liga o Brasil aos Estados Unidos teve que desligar equipamentos devido às inundações que enfrentaram, o que trouxe instabilidade para alguns provedores de internet no país. Apesar de raras, são situações quase inevitáveis.

Com uma equipe especializada e focada em segurança, os provedores de nuvem conseguem implementar práticas e softwares que até grandes empresas não fazem. O que leva a suposta desvantagem da segurança a se tornar uma grande vantagem.

E então, já consegue responder se realmente precisa da nuvem? O fato é que a nuvem é um grande recurso que vem sendo largamente adotado pelas empresas e que já a utilizamos em muitos momentos do nosso dia, mas concordo que não é uma decisão fácil de se tomar. Acompanhe os próximos artigos da série e fique mais seguro para responder à questão.