A Venezuela bloqueou o acesso à rede Tor, usada para navegar anonimamente e contornar censura, em seu território, segundo ativistas ouvidos pela organização não-governamental Access Now. De acordo com a ONG de proteção aos direitos humanos e privacidade na internet, o bloqueio foi feito pelo provedor de internet estatal, o CANTV, “de longe o maior do país”.

O uso da solução por venezuelanos havia crescido consideravelmente nos últimos dois meses, com um pico registrado na última semana, conforme mostram as métricas do próprio projeto.

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A popularidade aumentou especialmente depois que o governo local passou a impedir o acesso a sites de veículos de mídia não ligados ao presidente Maduro. As redes virtuais privadas e a rede Tor eram a única forma de entrar nas páginas, já que nem mesmo trocar o DNS por um internacional, como o do Google ou o da CloudFlare, ajudava a contornar a censura.

Segundo um ativista ouvido pela ONG, o bloqueio à tecnologia é “muito sofisticado” e afeta não só canais de acesso direito, mas também as pontes fornecidas pela rede Tor para contornar eventuais restrições.

Algo similar também é feito pela China, que baniu a solução do país, e já foi realizado pela Etiópia, em 2012. Irã e Rússia também constantemente tentam vetar o uso dela em seus territórios, de acordo com a Access Now.

A rede Tor é frequentemente adotada por ativistas, digitais ou não, para se comunicar e navegar sem interferência de governos mais autoritários – bem o caso da Venezuela. A solução é recomendada por Edward Snowden, pelos Repórteres Sem Fronteiras e por outras organizações não-governamentais, como a Human Rights Watch e a Global Voices, para pessoas que buscam anonimato e vivem em regiões com histórico de censura.