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Autoridades russas estão exigindo que o Tinder entregue uma grande quantidade de dados íntimos de usuários, incluindo mensagens privadas, caso seja solicitado pelas autoridades — parece absurdo, mas quando falamos de Rússia, bom, aí a surpresa não é tanta. Esse foi o quarto app de relacionamentos forçado a cumprir o pedido do governo russo, segundo o Moscow Times. Cerca de 175 aplicativos já consentiram em compartilhar dados de usuários com o Serviço Federal de Segurança local.  

Na última sexta-feira (31), o Tinder entrou na extensa lista de apps que têm de cumprir a exigência “quando solicitada” de informações privadas de seus usuários. Os dados que o aplicativo deve coletar e fornecer à Rússia, mediante um gentil pedido, incluem informações pessoais e todas as conversas, incluindo áudio e vídeo. Segundo a política de privacidade do serviço, ele armazena detalhes básicos do seu perfil (data de nascimento, sexo), bem como o conteúdo que você publica e suas mensagens com outros usuários. Ou seja, o governo russo pode colocar as mãos nas fotos que você disponibiliza no Tinder, os lugares onde você esteve e aonde pretende ir, por exemplo.

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Não está claro se as possíveis solicitações de dados serão aplicadas apenas a usuários do Tinder na Rússia ou a qualquer cidadão russo do aplicativo de encontros, independentemente de onde ele esteja. Caso a segunda opção se confirme — o que dificilmente vai acontecer, vide a complexidade e diversidade de legislações vigentes em cada país a respeito da privacidade de cada cidadão — , estaríamos apontando para um cenário em que uma nação seria capaz de estender seu alcance aos dados íntimos de pessoas em todo o mundo, fazendo exigências a aplicativos.

De acordo com a Associated Press, o órgão regulador de comunicações da Rússia confirmou na segunda-feira (03/6) que o Tinder compartilhou informações com ele.

Uma ampla e diversificada gama de serviços já está na lista de “submetidos”, que existe há anos, como indica o extenso registro online. Isso inclui Snap, Wechat, Vimeo e Badoo.

No ano passado, o Telegram se opôs ao pedido das autoridades russas por suas chaves de criptografia. O posicionamento resultou no banimento do aplicativo de mensagens criptografadas na Rússia. O que gerou uma grande e embaraçosa confusão na internet do país. Os provedores de serviços de internet russos, em sua tentativa de bloquear soluções alternativas que burlavam a proibição do Telegram, interromperam acidentalmente uma série de serviços online.

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Desconsiderando a parte um tanto quanto patética, o incidente mostra bem o que acontece se uma empresa não estiver em conformidade com as solicitações de dados da Rússia. Reguladores no país não têm um enorme arsenal de ferramentas disponíveis para penalizar serviços que optarem por não fornecer informações aos usuários, mas podem forçá-los a pagar multas e bloqueá-los.

O Gizmodo alegou ter entrado em contato com o Tinder para saber quais usuários seriam submetidos às novas regras russas e que tipo de dados ele compartilhará com as autoridades. Até o momento da publicação dessa matéria, a rede social não havia respondido. Vamos atualizá-la caso o veículo receba uma resposta do app.

No Brasil, isso causaria um impeachment, no mínimo.