Voar acima da velocidade do som parece algo futurista demais para a maioria das pessoas, mas há mais de 15 anos, voos comerciais supersônicos eram uma realidade.

Foram 14 aviões conhecidos como Concorde, que voaram de 1976 a 2003. Eles eram capazes de viajar três vezes mais rápido que as aeronaves regulares de passageiros, mas as companhias não lucravam com essas viagens.

São diversas as razões pelas quais o Concorde não era vantajoso do ponto de vista monetário para as empresas. Quando o avião acelerava além da velocidade do som – cerca de 760mph – criava ondas de choque no ar, que chegavam ao solo e criavam um “estampido sônico”, um grande estrondo ouvido por quem estivesse ao longo de seu caminho. Por esse motivo muitos regulamentos proíbem que aviões comerciais voem sobre a terra mais rápido do que a velocidade do som.

Essas regras, somadas a quantidade de combustível que o avião podia transportar, limitaram o uso do Concorde a rotas transatlânticas. Além disso, os voos eram tão caros que um bilhete só de ida de Londres para Nova York poderia custar mais de US$5.000, o que resultava frequentemente em metade dos assentos vazios.

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Esses voos são possíveis hoje?

Para o engenheiro espacial Iain Boyd, em texto publicado na Phys, a tecnologia avançou muito desde 2003, o que poderia tornar um voo supersônico economicamente viável. Mas ele reconhece a necessidade de mudança nos regulamentos antes que as pessoas comuns possam pensar em entrar em uma dessas aeronaves.

 O “bom sônico”

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Quando uma aeronave está no ar, cria ondas de perturbação de pressão que viajam na velocidade do som. Se a aeronave está voando mais rápido que o som, as ondas são comprimidas e formam uma perturbação mais forte, chamada onda de choque. Algumas dessas ondas de choque podem atingir o solo e criar o “estampido sônico”.

O programa X-59 da NASA, visa tentar reduzir esse problema. Ao moldar a aeronave, o objetivo é enfraquecer as ondas de choque ou impedir que elas atinjam o solo. Com as demonstrações de voo programadas para começar em 2021, o sucesso no projeto da NASA poderia remover uma importante barreira rumo ao voo supersônico.

Ensurdecedor no ar e no chão

Também existe uma regulamentação quanto ao ruído em solo. O FAA (Federal Aviation Administration, órgão de controla a aviação nos EUA) exige que o nível de ruído gerado pelos aviões supersônicos no aeroporto seja o mesmo dos aviões subsônicos.

Mas as mais recentes aeronaves subsônicas usam motores a jato muito grandes, que proporcionam alta eficiência de combustível. Por acelerar um grande volume de ar em uma velocidade muito menor, esses motores também reduzem muito o ruído, se comparado aos antigos.

No entanto, esses padrões atuais não se encaixam nas aeronaves supersônicas, já que motores tão grandes diminuem a velocidade do deslocamento.

A tecnologia a nosso favor

Algumas inovações recentes visando a redução do ruído de aeronaves subsônicas em aeroportos também ajudaram veículos supersônicos. Esses avanços incluem o uso entalhes ou “chevrons” na saída de ar de motores a jato para reduzir o ruído ao misturar mais efetivamente o gás do motor com o fluxo de ar externo.

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Além disso, a precisão atual das simulações de computador, torna mais fácil explorar novos projetos. Fora os avanços tecnológicos desde que o Concorde se aposentou, também houve mudanças importantes nos padrões de viagens aéreas comerciais. E um aumento significativo no uso de jatos comerciais, assim, uma abordagem promissora para a reintrodução de aviões comerciais supersônicos é o desenvolvimento de jatos por pequenas empresas. Esta é a abordagem que está sendo adotada pela Aerion, empresa especializada em tecnologia supersônica civil.

A empresa Boom 

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Talvez, os voos comerciais supersônicos voltem a ser uma realidade já em 2020. A empresa Boom – batizada com esse nome exatamente pelo barulho que esses aviões geram – em fevereiro deste ano, anunciou o primeiro protótipo para esse tipo de viagem.

O XB-1 deve ganhar os ares em 2019, ainda que não transporte passageiros. O modelo inicial está sendo usado como teste para o definitivo, o Boom Overture. Esse, sim, de acordo com a empresa vai transportar pessoas e só deve estar pronto no final de 2020.

Fonte: Phys ORG